“É preciso vencer Abril”

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Mário Moura - Médico

O nosso Presidente da República a propósito da situação em que vivemos  com a pandemia do coronavírus e ao justificar a prorrogação do estado de emergência usou esta frase com que encabeçamos esta reflexão para reforçar a ideia de que a pandemia estava numa fase decisiva da sua evolução. As coisa iam correndo razoavelmente bem e estava-se à espera de sinais epidemiológicos que significassem que se caminhava para uma vitória sobre a tragédia que se abateu sobre todo o mundo e que estava causando milhares de mortes e uma propagação meteórica da doença, entre nós e nos países à nossa volta – a Espanha e a Itália e noutros continentes.

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E a situação devia-se, como é evidente, aos nossos serviços de saúde  ( ao SNS, aliás uma das conquistas da nossa Revolução de Abril) e ao comportamento extraordinário do povo que estava obedecendo com rigor às medidas de isolamento nas suas casas, ás medidas de higiene e à paralisação e encerramento de comércios e fábricas. É necessário garantir que se continue com o mesmo rigor até ao fim deste mês de Abril – por isso o Presidente Marcelo afirmou e repetiu que “era necessário vencer Abril”, e talvez depois a situação melhorasse a ponto de reconquistarmos a nossa liberdade plena. Sabemos que são os profissionais de  Saúde com o seu empenhamento e dedicação, mais uma infinidade de outros profissionais que mantêm o nosso sustento e a ordem que lutam denodadamente contra o vírus que inesperadamente se ri das nossas tecnologias e da tão proclamada superioridade do homem. Mas será o povo que com a sua atuação e disciplina dá corpo à nossa possível vitória sobre o agressor.

Também no próximo dia 25 temos de comemorar a vitória dos “capitães de Abril” que quase sem disparar um tiro derrubaram a ditadura de 50 anos que nos dominava e tirava todas as modalidades de liberdade – de reunião, de opinião, de participação democrática nos nossos destinos. Foi “preciso vencer Abril” de 1974 para hoje podermos dispor dum Serviço Nacional de Saúde, para hoje podermos dar opiniões, para hoje termos educação para todos e para podermos escolher quem nos governe e dirija os nossos destinos. Eu sei que quem tem hoje até 50 anos não sentiu a opressão e não sabe o sabor da liberdade, e por isso alguns levantem reticências a que se comemore essa data no respeito das exigências que a pandemia nos obriga.

Não queria hoje falar mais sobre a verdadeira tragédia que é a pandemia que estamos vivendo, sob o ponto de vista sanitário e económico, mas não queria deixar de , mais uma vez, salientar que estamos perante uma emergência de destruição dum sistema que pode vir a ser reconstruído com outras regras que nos deem uma sociedade mais igualitária e mais fraterna – aproveitemos a lição e saiamos vencedores não só de Abril mas para o resto das nossas vidas.

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