24 Novembro 2020, Terça-feira
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25 de Abril de oiro

As condições em que celebramos este ano acentuam o valor da palavra. Sem adornos ou esplendor festivo, fica escancarada a janela dos valores e dos princípios

 

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O maldito tempo que vivemos é, apesar de tudo, uma lição de humildade, frugalidade e humanismo para todos nós. Quem haveria de dizer, há dois meses, que as ruas ficariam vazias, sem crianças, e que as gargalhadas em grupos de amigos seriam coisa do passado?

Este ambiente surreal tem o dom, valha-nos isso, de calibrar os valores, separar o essencial do supérfluo e dotar o que verdadeiramente importa da importância que realmente tem.

No caso das comemorações do 25 de Abril, ganha-se em substância o que se perde na forma. Ficamos sem os espectáculos, a confraternização e a festa, mas ganhamos atenção às mensagens, que tocam mais fundo nos corações.

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É a palavra que ganha força. E ainda bem. Porque é na comunicação que a Humanidade se distingue, manifesta e se realiza. Como diz Yuval Noah Harari, a grande força do Homem é a capacidade de cooperar – o conseguirmos trabalhar em grupos que ultrapassam em muito as nossas relações pessoais -, e essa capacidade assenta, antes de tudo, na comunicação.

Amanhã, mais do que em qualquer outro dos 46 anos de comemorações do 25 de Abril, a comunicação assume-se em todo o seu vigor, no esplendor que só podem ter as palavras verdadeiramente sentidas. Desta vez haverá outro sentimento, tanto de quem fala como de quem ouve.

Este contexto torna este 25 de Abril especial, numa celebração diferente em que os valores e os princípios brilham mais do que nunca. Sabemos que a liberdade, a fraternidade ou a democracia são oiro, mas desta vez sentiremos ainda mais o seu peso.

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É por isso absolutamente imprescindível que as comemorações se façam, que se recorde a Revolução para que renasçam mais uma vez os seus valores.

Liberdade de imprensa em tempo de pandemia

Em tempos de pandemia, a democracia não foi suspensa. O estado de emergência, que serve precisamente para afastar ou comprimir temporariamente alguns direitos constitucionais, não tocou na liberdade de imprensa, mas esta acaba por sofrer também, e não é pouco, com a situação. Desde que este drama começou em Portugal, o acesso à informação, que é uma das componentes da liberdade de imprensa, tem sido negado aos órgãos de comunicação social em geral e aos de âmbito regional e local em particular.

O acesso não foi oficialmente cortado, nem é assumido pelas autoridades nacionais e locais, mas, na prática, a ‘lei da rolha’ está em vigor, com hospitais, direcções regionais de saúde e outras entidades oficiais da administração desconcentrada do Estado a não poderem falar aos jornalistas.

Até no topo da hierarquia, a Direcção-Geral de Saúde discrimina os órgãos de imprensa regionais ao não permitir que participemos nas conferencias de imprensa diárias. Essa posição já foi transmitida a O SETUBALENSE, que tem reiteradamente tentado colocar as questões que gostaríamos de ver esclarecidas relativamente à região de Setúbal. Além de discriminatório, este tratamento é também arbitrário, uma vez que são admitidas perguntas de outros órgãos, igualmente regionais, como é o caso da Porto Canal.

O SETUBALENSE não aceita esta discriminação, já a denunciou, e tem contado com a intervenção do Sindicato dos Jornalistas, que ainda recentemente reuniu com o Ministério da Saúde para transmitir o protesto. Os responsáveis estarão a preparar-se para acatar as sugestões e encontrar um modelo diferente, que permita o acesso de todos os meios de comunicação social, por exemplo, através de conferencias de imprensa desconcentradas, pelas diversas administrações regionais de saúde.

Esperemos que os valores e princípios do 25 de Abril prevaleçam e que casos como estes deixem de fazer parte do nosso dia-a-dia.

Os títulos da edição de 24 de Abril tiveram, na maioria dos casos, associações a músicas de Zeca Afonso. Tal aconteceu com o título deste editorial.

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