O adiar da última homenagem

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Sofia Araújo, deputada do PS

Embora todos saibamos que ela um dia chegará, a morte é algo estranho e doloroso, que se espera venha tarde e na qual não se quer pensar.

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Perder alguém que se ama é, por si só, um momento de grande sofrimento e a cerimónia fúnebre é uma hora difícil, mas necessária para iniciar a recuperação e reorganização depois da perda, sendo o começo do processo de luto.

Nesta fase de pandemia, em que a maioria das pessoas se encontram, há longas semanas, em isolamento, a impossibilidade de cumprir o ritual do funeral pode comprometer este processo.

Angústia, raiva, desespero ou mesmo culpa, podem surgir pela incapacidade de honrar os desejos de quem partiu, ou de ter presentes familiares e amigos significativos e essenciais ao apoio emocional dos enlutados.

Perante a perda, um gesto, uma palavra de conforto, um abraço, um beijo, a presença dos outros que partilham a dor, mostra-nos que não estamos sós e devolve-nos pouco a pouco à vida.

Hoje, a pandemia deu origem a uma profunda e dura mudança que impede o cumprimento das nossas tradições.

Sem palavras de despedida ou gestos de aconchego. Sem contacto com o corpo, que vai em caixão fechado. Sem velório, sem missa nem cortejo e com muito poucas pessoas presentes, tudo fica bastante difícil de suportar.

Um misto de dor e tristeza sufocantes, num espaço e num tempo que impede a prestação devida de última homenagem aos seus entes queridos.

Não há dúvida de que vivemos tempos excecionais, únicos e incertos quanto ao futuro.

No entanto, é certo que o ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação e resiliência.

Agora, é tempo de nos cuidarmos, de nos protegermos, para que, quando tudo isto passar, em segurança, possamos fazer as devidas homenagens a todos os que nos deixaram.

 

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