O (des)confinamento

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Mário Moura - Médico

Usando a boa gíria futebolística “a bola agora está do nosso lado!”

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Depois deste período em que obrigatoriamente, por força de lei, estivemos fechados em casa e proibidos de sair, a não ser por motivos de força maior, continua a ser aconselhável (dizem alguns peritos) que mantenhamos aquilo a que se chamou “o confinamento” que será a melhor maneira de diminuir o alastramento da pandemia do coronavírus – esse flagelo que caiu sobre o mundo que habitamos, verdadeiramente duma maneira inesperada.

Mas como o conhecimento desse vírus, das suas propriedades e da causa da sua impressionante facilidade de contágio, só se vai formando pela observação do seu comportamento, da observação minuciosa da evolução dos sintomas dos doentes, do seu estudo laboratorial e da evolução da propagação nas várias partes do mundo, por toda esta variedade de comportamentos é que se vão consolidando os verdadeiros conhecimentos da doença e do seu agente o que faz com que haja uma variedade enorme de opiniões – todas ditas científicas – o que lança uma enorme confusão nos espíritos.

E de cada opinião surgem argumentos que muitas vezes são contraditórios uns dos outros. E como as medidas tomadas foram duma dimensão e dum rigor grande, as consequências sobre o comportamento das pessoas – e quase sempre baseadas nas decisões das autoridades de saúde- tem sido grande a confusão, geradora de insegurança, de medos e de ansiedades que atingem os comportamentos emocionais das pessoas.

Ora, passado que foi este período rigoroso de confinamento apoiado nas leis de exceção, sendo por isso os desvios punidos pelas forças de segurança, entrámos no tal período de des-confinamento. Agora não será a lei que nos obriga mas o nosso bom senso e a nossa consciente participação nas medidas de contenção da pandemia, por isso, usando a tal gíria futebolística, “a bola agora está do nosso lado!” A nossa responsabilidade aumenta, o nosso comportamento tem de ser mais consciente das razões que nos levam a proceder desta ou daquela maneira. A situação agora exige melhor informação, os nossos raciocínios têm de ser mais fundamentados, as emoções algo “desafinadas” pelo rigor das medidas anteriores, exigem de nós um melhor controle.

E, embora, como dissemos, até as opiniões dos técnicos não apresentem uma unanimidade que nos facilite as nossas decisões, os nossos comportamentos são agora mais importantes e responsáveis pois a pandemia não é só um problema de saúde pública, mas é igualmente um problema económico e social de grande gravidade. Por isso estamos assistindo a um precário equilíbrio entre a SAÚDE E A ECONOMIA, que é o mesmo que dizer entre a possibilidade da morte e a fome! Ora sabemos que quem tem dominado a nossa vida social e política, tem sido o “deus-mercado” e o capital, havendo assim uma luta bem desigual. Da SAÙDE tratam os serviços de saúde e os seus trabalhadores que muito admiramos pelo seu enorme esforço e sacrifício, mas que são dominados pelos políticos, e quem trata da ECONOMIA são outros agentes que são dominados pelos donos do dinheiro.

Portanto, agora temos nas nossas decisões e comportamentos a possível vitória sobre a pandemia mas, dos nossos comportamentos também estão dependentes fatores decisivos para a sociedade pós-covid19 – e disto não podemos estar alheados pois há muito tempo que sabemos dos defeitos da sociedade em que vivemos – não será uma oportunidade de, ao vencermos o coronavírus, começarmos a construir uma sociedade nova, mais igualitária e fraterna? É necessário não perder esta oportunidade de aproveitar uma fatalidade para um benefício!!

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