Pedir e não obrigar

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Pedro Moço, estudante

Aquando estudante adorava a sensação de folhear manuais novos em setembro. Isso e das aulas de História. Fascinavam pela arte e pelos movimentos políticos adjacentes, – ou vice-versa – do estudo de personalidades recordadas pelas capacidades argumentativas e posteriores feitos, bons e maus. Falo de movimentos políticos e religiosos, hoje assustadores, iniciados por meras palavras. Épocas que marcaram pelos melhores, mas por vezes pelos piores acontecimentos. Infelizmente quando achamos que são História – cujo papel é ensinar a não cometer erros do passado – olhamos para o mundo e percebemos que além de uma pandemia de saúde pública temos uma pandemia de populistas e desinformação.

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Olhamos para o mundo que elogia Portugal pela forma rápida e democrática de agir e pelas respostas aos que atentam a uma união na Europa, mas olhamos para dentro – e não digo de nós próprios, pois o isolamento social tem dessas coisas – e vemos personagens, que disso não passam, a incitar aos cidadãos que se rebelem contra a Democracia. Sim, é um artigo sobre a petição contra a comemoração do 25 de Abril que pede para fechar a casa da Democracia nesse dia. Como português e montijense – com umas costelas aldeanas – é óbvio que gosto de comemorar, mas também sei distinguir comemorações no quintal das comemorações na Assembleia da República. Do que nós seria se andassem por lá a beber copos.

Seja qual for o nosso partido e ideologia, importa que percebamos dois pontos. Primeiramente não é, ou não devia ser, uma questão partidária, mas sim cívica. Depois entender que não se celebra um dia específico. Celebra-se a deposição de 48 anos de um regime totalitário e opressor. Celebram-se pessoas que lutaram, foram presas e que ou foram libertadas e sobrevivem com marcas no corpo e na mente ou que morreram para que hoje tenhamos a mínima possibilidade e garantia de celebrarmos seja o que for. Pessoalmente celebro a vitória de ascendentes que fugiram da polícia política ou que “defenderam a unidade nacional” nas ex-colónias. Celebro aqueles que tiveram de – como cantaram para a História os Delfins – matar ou morrer. Celebro em isolamento social, voluntário, a possibilidade que esses familiares e desconhecidos ofereceram de construir uma vida com mais horizontes do que Deus, Pátria e Família e respeito o trabalho da Assembleia. Trabalho que não acontece somente nesse dia, mas todos os dias e que não é uma mera cerimónia, mas sim uma atitude de respeito para com todos aqueles que possibilitaram esse trabalho. Se esse ato de respeito passar a ser um mero ato, então sabemos que o trabalho de Abril está a desvanecer e que temos de lutar contra um inimigo bem visível, muito contagiante.

Pediram-nos bom senso nesta época, portanto, vamos ter noção que quem lá vai estar não estará em contacto e que o fazem por respeito ao seu povo. Não estar seria faltar ao trabalho. Não estar é faltar à Democracia.

Para terminar, lembro que nos pediram para ter noção, não nos obrigaram.

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