PENSAR SETÚBAL: As faces ocultas do icebergue

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Giovanni Licciardello - Professor

Mesmo em tempo de Covid-19, as notícias incidem sobre as declarações de Donald Trump e Jair Bolsonaro, presidentes dos EUA e do Brasil.

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De facto, ambos são os “bombos da festa”, idiotas úteis sobretudo porque se colocam a jeito, brindando-nos diariamente com dislates e imbecilidades impróprias de Chefes de Estado.

Contudo, Trump e Bolsonaro são a face visível do icebergue. Debaixo da linha de água, ocultam-se outros, bem mais perigosos.

Comecemos com Bashar al-Assad, presidente da Síria desde 2000, sucedendo a seu pai Affez al-Assad, que governou o país durante 30 anos, até à sua morte. Ao todo, 50 anos no poder.

Com o início da guerra na Síria, em 2011, assistiu-se a uma repressão implacável, com torturas, assassinatos, guerra química, aterrorizando a população, numa clara violação dos direitos humanos.

Bashar al-Assad deveria ser julgado por Genocídio, pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. Continua no poder. Quase ninguém fala nele.

Passemos agora a Ji Xinping, presidente da China, e secretário-geral do Partido Comunista Chinês, partido no poder desde 1949.

A forma deliberada e intencional como o surto de Covid-19 foi ocultado, numa primeira fase, é algo de muito grave. Se o surto tivesse sido atacado da forma atempada, os seus efeitos podiam ter sido reduzidos drasticamente.

Em vez disso, Xi Jinping negligenciou o problema e silenciou os que alertavam para o seu perigo.

– Portugal tem cerca 10 milhões de habitantes e 1100 mortes;

– A Itália tem cerca 60 milhões de habitantes e 30000 mortes;

– A China (local onde o surto de Covid-19 surgiu e se propagou), tem cerca 1,4 biliões de habitantes (1400 000 000) e regista somente 4600 mortes, havendo dias onde se registam zero mortes?

Ou seja, o governo chinês continua a mentir descaradamente, tentando, a todo o custo, desviar as atenções para a sua acção negligente e criminosa.

Segue-se Victor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, desde 1998. Na sequência do Covid-19, o parlamento húngaro aprovou uma série de poderes reforçados, mas que a oposição acusa de ser uma forma de reforçar o seu poder, podendo governar por decreto, sem necessidade de consultar o Parlamento. Pode adiar ou cancelar a realização de eleições e alterar leis. Para além disso, o projecto prevê ainda pena de prisão de um a cinco anos para quem espalhar “notícias falsas” sobre a epidemia.

Temos ainda Vladimir Putin, presidente da Rússia, no poder desde 2000. “A situação está sob controlo total”, garantiu o presidente russo recentemente. Todavia, mantém-se enclausurado, contactando por videoconferência.

O primeiro-ministro Mikhail Mishustin, o ministro das Obras Públicas, Vladimir Yakushev, e o seu vice Dmitry Volkov acusaram positivo no teste do coronavírus e foram hospitalizados.

Há quem desconfie da informação oficial e sofra as consequências tal como Anastasia Vasilyeva, líder sindical, que acusou o governo de “mentir abertamente”, acabando por ser detida.

Na face oculta do icebergue ainda podemos encontrar Kim Jong Un, Nicolas Maduro, Daniel Ortega, Recep Erdogan, Rodrigo Duterte, Aleksander Lukashenko e Ali Khamenei. Todos no poder.

Tudo gente muito pouco recomendável.

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