Ainda… e sempre a pandemia

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Mário Moura - Médico

Não há como fugir ao tema da pandemia pois toda a nossa vida está virada do avesso.
Até já se criou um termo novo – o senicídio – para significar o verdadeiro morticínio dos seniores nos asilos, não só cá entre nós onde quase metade dos falecimentos são de pessoas com mais de 70 anos. O problema começa a ser levantado nos meios de comunicação lamentando este sacrifício dos avós.

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E nos lares não se lêem grandes preocupações com o isolamento forçado de vários meses a que os nossos idosos internados estão votados. E a solidão é um fator importante para o desgaste da saúde precária das pessoas de idade. Há vários anos que se propõe que um idoso tenha no seu internamento um ambiente que lhe seja familiar, com os seus móveis e os seus bibelots – é evidente que nada disso é feito nos nossos lares e sabendo todos nós que os lares ilegais pululam no nosso país.

Um segundo ponto que se toca com pouca frequência é : como vai ser o nosso ambiente no pós covid19? Se sabíamos , mas quase todos olhavam para o lado, que o planeta Terra estava a caminho duma situação de inabitabilidade por culpa do nosso comportamento ao esgotar as suas reservas , ao alterar os seus equilíbrios ecológicos da fauna e flora, ao aquecer o ambiente alterando todo o comportamento dos oceanos e provocando alterações climáticas destrutivas graves. Será que se vai lutar para voltar à mesma situação que apenas interessa aos exploradores de matérias primas essenciais aos grandes progressos tecnológicos?

E sabendo todos nós de que a pobreza andava por muitos milhões por esse mundo fora para gaudio duma elite que ia acumulando riqueza e que verdadeiramente por processos ínvios controlam a organização socio-política que nos governa, será que vamos voltar, quando se vencer a pandemia, a esta situação imoral? Será que o rumo após a vitória (que não sabemos quando será!) sobre a pandemia vai ser um regresso exatamente à nossa situação anterior ao aparecimento do vírus?

Não será que devemos fugir desse caminho para o mesmo e aproveitar para nos empenharmos numa construção duma sociedade que dê a todos mais felicidade e gosto de viver? Não será altura propícia para nos nossos isolamentos forçados pensarmos qual é a utilidade de vivermos a grande velocidade enchendo os ares de milhares de aviões altamente poluentes? E não será de aproveitar o forçado convívio das famílias para renovar o espírito de comunidade – não lucraremos todos com essa medida, os filhos, os casais, os avós? O que estamos habituados a chamar de normalidade, não está a ficar bem à vista que é uma dissolução do espírito de comunidade, de fraternidade, da estrutura da família que é a célula mãe duma sociedade bem estruturada? E não podemos observar que as mudanças nos processos de trabalhar podem bem ser modificados com vantagem?

E que . seja qual for a nossa organização social se torna necessário que toda a gente tenha um rendimento garantido para poder, pelo menos não morrer de fome ou ter de ir viver para debaixo das pontes? E até os processos religiosos organizados e anquilosados de há séculos, de vária orientação, agora cumprindo também o confinamento, não provocaram em quem tem fé autêntica o reforço, o remoçamento e a pureza da nossa relação com o Criador? Não será igualmente de no pós covid19 purificarmos a nossa relação com o Poder Divino despido de normas e até de conceções ridículas perante os conhecimentos científicos e as reflexões filosóficas da atualidade, sendo assim mais atraente para parte jovem do povo de Deus?

Acho que é boa ocasião para se pensar em tudo isto pois que vai ainda levar bom tempo para nos vermos livres do covid – vacinas eficientes e sem riscos, terapêuticas eficazes, e acabar com a expansão da epidemia quando se quer em simultâneo ativar a economia, ainda está bem longe!!

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