A economia na região de Setúbal e a COVID-19

36
visualizações
Caldeira Lucas, Consultor

A Península de Setúbal já foi 3ª região económica e 1ª Industrial de Portugal, e “bolsa de emprego” do distrito. Com a ajuda de empresários de que se destaca Alfredo da Silva com a CUF (1907), da entrada de Portugal na EFTA (1960) aproveitando a preciosa ajuda do Plano Marshall (1950).

- Pub -

Entretanto dá-se o choque petrolífero (1973) e a reabertura do canal do Suez (1975) prejudicando os objetivos da Lisnave e Setenave, obrigando à sua fusão e deixar a construção de navios, limitando-se hoje à sua reparação.

Clusters importantes para a região, como a dos componentes automóveis e da cortiça, em que éramos o maior transformador, foram deslocalizados para outras regiões.
Com a entrada na CEE (1986), para podermos receber os apoios comunitários, tivemos de limitar a nossa capacidade produtiva, afetando sobretudo sectores tradicionais, como agricultura, pesca e metalomecânica, com o argumento da região dever apostar mais nos serviços e turismo. Vê-se o resultado, que pode ainda piorar, com a pandemia, sendo a Península de Setúbal menos apoiada.

Quando Portugal devia ter diversificado para outros mercados, além da Europa, restringimo-nos às “ordens de Bruxelas”. Felizmente esta situação tem sido alterada, graças à capacidade de empreendedores que seguiram as recomendações de Porter (1994) … Mas noutras regiões mais ajudadas.

Com a globalização, iniciada com a “icónica queda do muro de Berlin” (1989), dando resposta às pretensões de multinacionais (EUA e Alemanha) na procura de mão-de-obra mais barata (um chinês ganhava 10% do ocidental), a China afirmou-se como produtor e gradual maior mercado de consumo.

O desemprego foi aumentando nas regiões, incluindo Portugal, em que a Europa se “distraiu”. O problema é que esta Pandemia (oriunda da China) mostrou que afinal “o barato sai caro” afectando principalmente o sector turístico que em Portugal já tinha o peso de 15% do PIB.

Isto leva a que a Europa deva urgentemente rever o modelo económico, principalmente na região de Setúbal, que tem assistido a um “deixar andar”, com preocupações secundárias.

Exceptuando a Autoeuropa e uma ou outra empresa sua fornecedora, as modernas indústrias amigas do ambiente, por serem mais apoiadas, estão noutras regiões.
Numa entrevista feita ao responsável da Bosch em Portugal, perguntaram-lhe “onde estavam a pensar implantar a quarta fábrica em Portugal”. Resposta imediata “a sul do Tejo nunca”. Porque será?

A excessiva dependência da Autoeuropa pode vir a trazer-nos dissabores”. Nenhuma região, ainda por cima com 800 mil residentes, consegue viver só de um sector de actividade.

A COVID-19 veio demonstrar que foi um erro a Europa ter enveredado pelo suposto “menor custo”, e a necessidade de reindustrializar, ajudando mais a região de Setúbal, que foi a que mais divergiu da média europeia.

Comentários

- Pub -