PENSAR SETÚBAL: Os setenta e cinco anos da 2ª Guerra Mundial

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Giovanni Licciardello - Professor

Neste ano de 2020, perfazem setenta e cinco anos sobre o fim da 2ª Guerra Mundial.

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Pela minha parte, tive familiares meus, do lado italiano, envolvidos no conflito. O meu tio Giuseppe, do exército, foi feito prisioneiro pelos ingleses, na Eritreia (antiga África Oriental Italiana). O outro tio Francesco, da marinha, foi torpedeado duas vezes por submarinos aliados, no Mediterrâneo.

Meu Pai, com 12 anos, teve de interromper os estudos durante três anos, para ir trabalhar numa fábrica de armamento alemã.

Todos sobreviveram à guerra.

Pela sua magnitude e importância histórica, este tema foi abordado de diversas formas, nas mais variadas vertentes.

Nesta crónica, fico-me pelas vítimas. Nunca será conhecido com precisão o seu número. Milhões de soldados morreram em combate e milhões de homens, mulheres e crianças morreram, sem saberem bem como, nem porquê.

Estes números que se seguem são valores aproximados, contudo bem significativos. A antiga União Soviética sofreu um total de vinte milhões de mortos. A Alemanha sofreu cerca de sete milhões. O Japão, três milhões.

Na Polónia, morreram seis milhões de cidadãos polacos, dos quais três milhões eram judeus. A estes juntaram-se mais três milhões, provenientes de outros locais da Europa e que foram também assassinados pelos nazis, o que elevou o total de mortes dos judeus para seis milhões.

Na antiga Jugoslávia, um milhão de mortos. França, seiscentos mil. Estados Unidos, Inglaterra, Itália, aproximadamente quinhentos mil cada um, etc.

Em todas as zonas atingidas pela guerra, as perdas de vidas humanas foram devastadoras.

Ninguém pode sequer fazer uma estimativa e calcular o número de feridos, cujas vidas ficaram definitivamente afectadas como resultado desta guerra. Lesões físicas, acarretando deficiências gravíssimas e lesões psicológicas marcaram para toda a vida milhões de pessoas. Nos cinco continentes.

Muitos foram as que morreram em resultado de tais lesões. Outras passaram a viver presas da dor, do mal-estar, da angústia, do medo, do remorso e da privação do sentimento de fraternidade que nos deve unir a todos, humanos.

Centenas de milhares de sobreviventes civis, foram vítimas da fome, da miséria, do medo, das deportações ou dos massacres e ficaram também para sempre marcados por lesões de natureza física e psicológica, que os continuaram a atormentar durante o resto das suas vidas.

Seguiu-se a “Guerra Fria”, com duas grandes superpotências, os Estados Unidos e a ex-União Soviética, procurando serem hegemónicas, em diversas partes do globo.

Com a queda do Muro de Berlim que simbolizou o fim de quase todas as ditaduras comunistas, novos antagonismos foram gerados: EUA, Rússia, China. Novos e variados ditadores foram surgindo.

A 2ª Guerra Mundial não foi a guerra decisiva; foi somente a segunda de muitas que haveriam de se seguir: Coreia, Vietname, Tibete, Guerras Israelo-árabes, Afeganistão, Kuwait, Iraque, Irão, Malvinas, Angola, Moçambique, Sudão, Etiópia, Somália, Balcãs, Geórgia, Crimeia, Ucrânia, Líbia, Síria, terrorismo, Daesh, atentados, Covid-19, etc.

Passados 75 anos sobre o fim da 2ª Guerra Mundial, o nosso Mundo continua a ser um local perigoso.

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