A rábula do novo banco

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Francisco Ramalho, ex-bancário, Corroios

Confinado em casa há tanto tempo, a fazer contas à vida e parte dele já com a barriga a dar horas, o respeitável público, precisava de uma rábula para acalmar a sua ira ao ver mais quase mil milhões (850.000) a voar da sua paupérrima carteira, para os bolsos dos novos donos do Novo Banco, os americanos do fundo Lone Star.

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Dois dos principais protagonistas, Marcelo e Costa, num pouco digno (para não lhe chamar baixo) golpe, para continuarem bem vistos perante o respeitável público, rasteiram o terceiro protagonista, Centeno, apresentando-o como o vilão, o mau da rábula, por não ter esperado pelo resultado de uma das auditorias à gestão do banco em causa. Como se isso impedisse mais esta tranche dos quase 5 mil milhões acordados com os novos donos do antigo Banco Espírito Santo. Mas Centeno, com créditos firmados no mundo do espetáculo a nível nacional e internacional, puxa pelos galões, e pergunta a António Costa como é. E este, para que o espetáculo continue, reitera-lhe “confiança pessoal e política”. E o respeitável publico, mais uma vez, engole em seco, baralhado, mas para a próxima revista, voltará a eleger o mesmo elenco.

Como se sabe, esta revista já é antiga. Está em cena desde que as principais empresas (PS, PSD com apoio do CDS), cumprindo ordens de empresários nacionais e, sobretudo, estrangeiros, representados na União Europeia mas não só, com exceção da Caixa Geral de Depósitos, privatizaram toda a banca. Depois, foi o regabofe já conhecido, e o respeitável público, a entrar com muitos milhares de milhões.

Agora, o atual patrão da principal empresa da oposição, Rui Rio, tentando colher dividendos, reclama a demissão do ator que se limitou a cumprir o acordo feito pela sua empresa sem oposição da que dirige a revista. Acordo esse, que prevê: até 4800 milhões, sempre que os atuais donos do banco, solicitem ao Fundo de Resolução, que é como quem diz, ao Estado português, melhor ainda, ao respeitável publico, este, tem de abrir os cordões à faminta bolsa.

Como se sabe, infelizmente, a Revista à Portuguesa, está moribunda. Infelizmente, porque ela animava o respeitável público e no tempo da outra senhora, fintando a censura que em termos culturais, era um bocado bronca, sempre que podia, descubria-lhe a careca. E mesmo depois do 25 de Abril, também levantava algumas incómodas lebres. Infelizmente também, como se constata, a revista a que nos referimos e que ainda está em cena, limita-se a atirar areia para os olhos do respeitável público, com rábulas rascas, como esta.

A braços com a tragédia que sobre ele se abateu com a pandemia em curso e por tempo indeterminado, o respeitável público, tem de pensar bem que atores quer ver em palco. Porque, com os atuais e com os que com eles alternam, com pandemias ou sem elas, arrisca-se a mais espetáculos deprimentes como este. Que, para além de não o divertirem mesmo nada, deixa-o completamente desanimado e a pão e água . E, os do costume, sempre a bife do lombo, à descrição.

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