Combate à “virose” social

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Eugénio Fonseca - Presidente da Cáritas Portuguesa

Muito se tem dito sobre a Pandemia Covid19. Reforço a gratidão, nunca demais exaltada, a todos os que têm, heroicamente, colaborado para minorar a gravidade da contaminação por um vírus, ainda não totalmente conhecido, mas de uma agressividade implacável. Penso nos profissionais de saúde, mas não esqueço os que cuidam das pessoas, sobretudo de idade avançada, das em situação de sem abrigo, mais fragilizadas em geral; os que asseguram a higiene das ruas; as forças policiais e de segurança que têm reforçado a solidariedade e o cumprimento das medidas emanadas do Plano de Emergência; a todos os que continuam, a manter a economia em funcionamento, mesmo correndo sérios riscos. Felicito aqueles partidos políticos, Presidente da República e o Governo que, conscientes de que está em causa o bem comum, se uniram para viabilizarem as medidas importantes para combater a pandemia. Estou, também, orgulhoso pela demonstração de civismo dos meus concidadãos, marcado pelo sentido de solidariedade e não só pelo medo da contaminação.

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Mas acompanha-me uma preocupação que se agravará com o avançar do tempo: as implicações socioeconómicas decorrentes dos impactos da grave crise sanitária em curso. Por enquanto, o problema social ainda não é tão grave quanto a pandemia, mas não tardará a que a crise sanitária caminhe junta com a crise socioeconómica, condicionando-se mutuamente. Chegará o tempo em que esta última se sobreporá à primeira. Desta vez, com danos maiores no tecido social que os causados pela crise iniciada em 2008. É verdade que o Governo já tomou medidas que procuram incidir no cerne de uma das causas geradoras de pobreza, a fim de que não haja perda de rendimentos. Isso será garantido por uma maior sustentabilidade, assegurando a manutenção dos postos de trabalho. Foi feito um investimento na concessão de crédito às pequenas e médias empresas, foram protegidas a conservação das casas e a manutenção de prestações sociais. Receio que não se previna a aplicação de burocracias desnecessárias e onerosas taxas de juro no que respeita à concessão de crédito. Por outro lado, há muita gente que fica excluída do acesso a algumas destas medidas, concretamente os trabalhadores por conta própria, os pequenos empresários ou os detentores de empresas unipessoais e até os prestadores de serviços, vulgarmente designados como trabalhadores a recibo verde.

Julgo ser conveniente a criação de um Plano de Contingência Social para providenciar que a ninguém falte o acesso a bens essenciais e que não haja uma escalada de endividamento. Um Plano com medidas que respeitem a dignidade das pessoas. A sabedoria do povo diz que “vale mais prevenir que remediar”.

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