Nos pós Covid-19 é necessário contagiar o mundo de esperança

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Mário Moura - Médico

Todos os governos, comprimidos entre a pandemia que continua a expandir-se, mais nuns países, menos noutros, e a necessidade de conter o descalabro económico-social, têm vindo a “desconfinar”, isto é, a abrir fábricas, comércio, pequenos comerciantes, e até cinemas, espetáculos culturais, e…praias, museus e festivais.

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Ninguém tem a certeza se o vírus não volta a aumentar a sua capacidade de expansão, alguns cientistas afirmam categoricamente que virá (não sabem quando) uma segunda vaga de doenças e mortes . É evidente que as pessoas estão fartas de isolamento e de retenção em casa, é evidente que a necessidade de manter uma distância do outro, nosso semelhante, não é coisa de somenos importância, pois desde sempre que a ciência valoriza, melhor, aponta a necessidade das pessoas contactarem umas com as outras.

O homem é um ser gregário e as manifestações de afeto nas crianças, nos adultos e nos idosos contribuem, para o normal desenvolvimento , por exemplo, das crianças, e os adultos se querem manifestar o seu afeto têm necessidade de contactarem pele com pele, com um aperto de mão, com um abraço ou mesmo com um ato sexual. O jejum forçado deste contato por tempos exagerados e contra a vontade dos próprios vai criando perturbações psicológicas e até doenças orgânicas.

As autoridades da saúde e os médicos sabem-no bem, mas o desequilíbrio das finanças ameaça destruir o equilíbrio social – eis mais um dilema! A razão profunda da nossa vida não é caminhar para a morte, é viver a esperança dum mundo equilibrado, onde não pode imperar o mêdo, a ameaça de morte, a relutância em conviver com o próximo (não seja ele um dos portadores do tal vírus!) ou a inelutável fome e desemprego. Sabemos bem que nos governos e nas instâncias internacionais que regem a economia (bancos, fundos, milionários, multinacionais, etc.) se tomam medidas para minorar esse descalabro financeiro com empréstimos, doações, isenções de algumas obrigações desse sistema, e disponibilizam-se milhões de milhões, só que a maioria dessas medidas passam ao lado das classes sociais mais periféricas que já passam fome como o atestam as organizações que sempre tiveram essa missão de ajudar os necessitados.

Só que essas medidas importantes certamente para o sistema em que vivemos e para os seus mentores, mas como dizia o José Afonso numa das suas canções: “eles comem tudo e não deixam nada”. Basta pensarmos que os administradores continuam a receber chorudos ordenados, os acionistas continuam a receber os seus dividendos, os juízes continuam a ter direito a mês e meio de férias, e as Cáritas, os centros sociais ou as organizações que pedem ao povo em geral ofertas para dividir pelos que têm fome, assinalam a velocidade do aumento dos necessitados …apenas em uns três meses!!!

Temos pois necessidade , e urgente, de emendar o que estava mal e que agora tem de ser reconstituído. E mais! não podemos esquecer que antes da pandemia se estava já perante uma grave ameaça ecológica que ameaçava (e vai continuar a ameaçar, pelos vistos!) o futuro do nosso planeta. Portanto esqueçamos por momentos a covid19 e pensemos nos desequilíbrios ecológicos, nas destruições da biodivercidade, pensemos nas preocupações do Papa Francisco ao publicar há 5 anos a “Laudato Si”.

Com estas ameaças à “Mae Terra” e com as reações dos “chefes” à pandemia, estamos numa verdadeira guerra por um futuro capaz- iremos ter um mundo de esperança? Não esqueçamos que proteger o Planeta é proteger o emprego, é lutar contra a pobreza – opor ecologia e economia é um erro! Nunca se viu a ciência e a investigação nos vários países do mundo a trabalharem em conjunto para solucionar a covid19 !! Que este espírito de colaboração se sinta também na construção dum Mundo Novo!

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