“Caminhos da Paisagem” – uma exposição digna de ser ver

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Eugénio Fonseca - Presidente da Cáritas Portuguesa

Os espaços culturais e as iniciativas que neles decorriam não se libertaram do confinamento social a que tiveram de se sujeitar os portugueses que dão vida a muitos sectores da sociedade portuguesa. Todos conhecemos as enormes dificuldades por que estão a passar também as mulheres e homens fazedores de Cultura. Esta é uma área pouco valorizada no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), assim como, entre outras, a ação dos cuidadores informais e a de milhares de voluntários em vários campos de intervenção comunitária. Não apoiar a Cultura é enfraquecer a identidade de uma nação.

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Como atitude, meramente simbólica, da minha solidariedade para com todos os agentes culturais do nosso país, o primeiro espaço público em que entrei, logo que se passou do estado de emergência para o de calamidade, foi o Museu do Trabalho Michel Giacometti. Lá encontrei uma Exposição de Pintura constituída por vários quadros que no catálogo de apresentação são referidos por Fernando António Baptista Pereira, autor do Conceito e da Programação do Museu de Setúbal e do Museu do Trabalho já referido, de quem tenho muitas saudades de ouvir as suas eloquentes palestras sobre Património Histórico, como pinturas de pequeno e médio formato ora vistas, pouco reconhecíveis, de lugares porventura familiares a muitos espectadores para fugir às tentações de ilustração, e, sobretudo, caminhos por entre árvores ou sob latadas, marcados por intensidades cromáticas pouco frequentes nas suas pinturas (da artista) de outras épocas.

Pelo que me apercebi, a Exposição deveria estar patente ao público entre os dias 7 de março e 19 de abril. Dado o encerramento do Museu suponho que estas datas se prolongarão por muito mais tempo. Não me lembrei de perguntar até quando, mas aconselho os setubalenses admiradores deste tipo de Cultura, e até mesmo os que o não sejam tanto, porque ficarão, decerto, muito agradados. Poderão ter a mesma sensação que penetrou o meu olhar e invadiu o meu íntimo, que foi a de me sentir envolvido pela Natureza numa das suas vertentes mais belas, mas também de uma paz interior que sempre nos proporciona a vastidão de uma formosa paisagem. Outro proveito que pude recolher desta visita foi a coincidência (se é que as há) de a fazer num dia da semana que o Papa Francisco pediu, fundamentalmente, aos católicos que assinalassem, da forma que melhor entendessem, a celebração do 5.º aniversário da Carta Encíclica Laudato Si’ que ele escreveu sobre ecologia e o cuidado que devemos ter com a nossa Casa Comum que é a mãe Terra. Nesta perspetiva, olhei os quadros como uma forte motivação para assumir os compromissos apontados na dita Carta papal. Recomendo, por isso, também aos que vivem preocupados com a preservação da Natureza e defendem uma “Ecologia Humana” que não deixem de ir ao Museu do Trabalho. Não é que nos quadros esteja evidenciada alguma figura humana, mas, na apreciação de Fernando António, a presença humana está omnipresente na visão profundamente subjetiva da pintora e nas evidentes marcas do próprio acto de pintar…

Nesta exposição, o acto de pintar é realizado por Laurinda Silvério que apesar de ter nascido em Setúbal, como eu, não tenho – julgo – o gosto de conhecer. Na visita fiquei a saber que é Licenciada em Artes pela Escola de Belas Artes de Lisboa. Entre 1984 e 1989, foi monitora de um atelier de expressão plástica para jovens e adultos, meritória ação que continua a realizar no seu próprio atelier. Foi a primeira exposição que vi desta Pintora, mas bastou para constatar a qualidade da sua arte. Vou passar a estar atento a novas exposições de Laurinda Silvério.

Reitero o apelo aos leitores que não deixem de visitar “Caminhos da Paisagem” e passem a informação. Ficaremos mais motivados a percorrer caminhos entre bonitas paisagens.

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