“Pior do que esta crise, só o drama de a desperdiçar”

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Mário Moura - Médico

A fase que estamos atravessando no mundo atual em que vivemos transmite-nos uma sensação de confusão difícil de compreender.

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Primeiro – é claro – é a pandemia da COVID19 que lançou as nossas vidas num perigo inesperado contando-se as mortes já pela bitola do milhão , e por isso provocando o descalabro de muitos serviços de saúde que na maior parte dos países não estavam preparados para uma afluência súbita de centenas de doentes por dia e muitos em situação de grande gravidade.

Em segundo lugar, obrigados a reter as pessoas em casa para evitar que os contágios andassem tão depressa, destroem-se a uma velocidade nunca vista os meios de produção, de distribuição e de venda do que se produzia– dando origem a falências, a despedimentos, a cortes nos salários de muitos trabalhadores com um tal “ ley off”, levando em dois ou três meses milhares a passarem fome (onde já existiam miséria e …fome!)

Em terceiro lugar esta paragem da vida veio provocar uma imperiosa mudança de hábitos no trabalho, no conviver, nas maneiras de nos relacionarmos, na verificação da inutilidade de muita coisa que se fazia, na determinação do verdadeiro valor de muito do que se produzia…a mais!

Mas a confusão torna-se ainda mais profunda quando se vêm tantos distúrbios e violências em países que foram na prática condutores do mundo inteiro – falamos dos Estados Unidos da América onde o racismo irrompe ao mais pequeno incidente. Ou na China totalitária aproveitando o momento para limitar a liberdade em Hong-Kong ou revelando a sua débil consistência como na União Europeia.

Mas a confusão é ainda maior – pelo menos para mim – quando em simultâneo com estes incidentes tão negros, se envia uma nave tripulada para o espaço, num esplendor da ciência e da tecnologia e num desvario de milhões de euros que são necessários por todo o mundo!!

E esta situação, tomando em conta todas estas consequências que enumeramos – e tanta coisa mais se podia colocar na lista – vai minando psiquicamente muita gente pelo tal confinamento, pela inibição dos contatos pessoa a pessoa tão necessários a uma mente saudável, alem de se terem colocado em espera tantas outras doenças e doentes.
Na Igreja Católica passou uma data que assinalava praticamente o seu nascimento universalista, simbolizado na descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos que sem medo daí em diante espalharam a mensagem da fraternidade e do amor ao próximo – a todo o próximo-pelo mundo inteiro de então. -E o Papa Francisco acentuou que o momento de crise que se vive deve ser utilizado para que a tal reconstrução do mundo destruído pelo vírus, e para construir um mundo novo sem os defeitos e as injustiças daquele em que ainda vivemos, embora em crise. E afirma “Pior do que esta crise, só o drama de a desperdiçar” – todos os que se dizem cristãos escutem e atuem com o vosso coração! Aliás todos os que se preocupam com a miséria e a exploração e com os atentados à “mãe terra” devem ouvir este apelo do Papa, sejam ateus ou seguidores de outros credos.

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