A resistência é cultural

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Carla Cisa

Com a pandemia instalada, a suspensão da atividade, em muitos setores, e o confinamento obrigatório, tiveram um impacto, significativo, na diminuição da emissão de gases de efeito de estufa, como o CO2 e o NO2, contribuindo para uma melhoria da qualidade do ar, e influenciando a curva das alterações climáticas.

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Mas, se nenhuma alteração ocorrer, estas melhorias ao nível do ambiente serão, apenas, transitórias. Aproveitemos, esta crise pandémica, para alterarmos comportamentos. Ganhemos consciência dos comportamentos erráticos que temos vindo a adotar, muitas vezes em nome de uma sensação de conforto.

O confinamento tirou a circulação de carros das cidades, e os níveis de poluição, por esta via, baixaram abruptamente. O desafio que agora se coloca, nos centros urbanos, é o de evitar o regresso à normalidade, no que diz respeito aos níveis de poluição, que anualmente causam a morte prematura a milhares de pessoas.

A redução drástica das deslocações casa-trabalho e trabalho-casa, contribuíram para melhorar a qualidade do ar, nas cidades. Assim sendo, parece evidente a urgência em se restringir, fortemente, a circulação de veículos nos centros urbanos. Parece evidente, a necessidade de cada um de nós questionar a utilização que dá ao automóvel.

A resposta já passava, antes da crise pandémica, por melhores transportes públicos, pela criação de ciclovias, pela adoção de mobilidades suaves, e pela devolução das cidades às pessoas. Mas, a realidade é que agora o medo do contágio existe. E a verdade é que o medo do regresso aos transportes públicos parece estar a traduzir-se numa tendência para, nos próximos tempos, se substituir o transporte público pelo automóvel.

Nos últimos meses, foram muitas as empresas que colocaram os seus trabalhadores a desenvolverem o trabalho, a partir de casa. Os trabalhadores adaptaram-se e a produtividade aumentou, ainda que num contexto nunca, antes, experienciado, e bem difícil.

E é por estes tempos, que faz sentido combater-se a resistência cultural, e encararmos a necessidade de alterarmos o modo como trabalhámos, até aqui. Não só o teletrabalho, mas também a adoção de novos horários laborais, podem ser instrumentos a utilizar na resolução do trânsito infernal, nas cidades, das horas de ponta, do problema do estacionamento, e das horas perdidas no trânsito que, curiosamente, com o confinamento imposto pela pandemia, se transformaram, em tempo produtivo. A conjugação destas medidas: restrição à circulação automóvel, nos centros urbanos, melhores e mais transportes públicos, criação de infraestruturas para bicicletas e para acesso pedonal, e a adoção do teletrabalho, a par da consciência individual, podem dar um importante contributo para que não se regresse à normalidade, nas cidades onde a mudança ainda não se operacionalizou.

A resistência é cultural, mas este é o tempo para a mudança.

Defender a saúde das pessoas por via da melhoria da qualidade do ar, e de uma melhor conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal e familiar.

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