Um gesto!

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António Guerreiro - Autor literário

Não tenho por hábito; não gosto, de escrever em causa própria, mesmo não passando de uma simples e humilde opinião. E escrever é a minha paixão, e não, porque a vida assim não quis, a minha profissão. Pois essa, com honra e orgulho de trabalho feito e dedicação deixada, dia após dia, é, Técnico Operativo de Águas Residuais. E é por fazê-lo com orgulho e dedicação, que corrigindo o franzir de nariz que o mesmo pode causar sempre que o menciono, que faço questão de o definir, como atividade que consiste em tratar água residual, suja, portanto e por todos nós. E não esgoto, como é vulgar chamar, mas que faria do bom resultado obtido no objetivo final, que ao rio, devolvêssemos, esgoto tratado: o que não existe!

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Formando com o Sol e o Ar, a mágica formula de três elementos que origina toda e qualquer possibilidade de vida. A água, nas mil e uma maneiras, tantas delas irresponsáveis, como a gastamos e dela dependemos e só a natureza a conseguindo criar, revela-se, ao rarear e num futuro que se apresenta bem mais próximo do que desejaríamos, um precioso bem a conservar. Facto, que valorizando para as gerações futuras a importância da minha função profissional e de meus colegas, e que na nossa península exercemos ao serviço da empresa Simarsul, permanece, para as contemporâneas, assim como: aquele anel que estando sempre no dedo, dele, já só nos apercebemos quando o tiramos para lavar as mãos. Ou seja, silenciosa, esquecida e apenas se, e quando interrompida, percetível. Ora como lavar as mãos é uma das medidas que do vírus nos protege, e não procurando outros exemplos domésticos e industriais menos agradáveis de pensar, nem subindo as águas residuais, ruas ou avenidas ou seguindo livres, sujas e soltas, para os rios da nossa região, nós, não pudemos parar.

Durante este período, como tantos outros cuja atividade teve que continuar, vimos as estradas ficarem vazias, as casas cheias e os números de contágio e morte a aumentarem. E os estudos, a provarem a sua presença, a do vírus, no que tratamos, e nós, sentindo o perigo diário e o medo de o sermos para os demais, próximos ou não. Sentimos também, mais do nunca, a ausência do subsídio de risco que se reforçou merecido, a leveza injusta de um salário baixo, a dureza de um trabalho exigente, responsável, indispensável e de resultado reconhecido. Pelo ambiente, no regresso na última década do marisco à região, ou pela sociedade, no contemplar o possível aproveitamento do final conseguido, para rega ou uso industrial.

Deste modo, eu, como colega e cidadão e dando-me o Diário da nossa região, no seu exemplo de persistência e luta em que também, os seus profissionais não parando, a ausência não sentimos, a oportunidade. E estendendo-o a todos, em tantas outras profissões, que tal como nós não pararam para que outros o pudessem fazer e que agora, gota a gota, devagar e com cuidado vemos voltarem, de máscara e distancia cautelosa, deixo um gesto de reconhecimento. Que permaneçam com suas famílias a salvo!

Muito o merecem!

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