Não estamos todos no mesmo barco

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Paula Santos, deputada do PCP

Nos últimos tempos temos ouvido que estamos todos no mesmo barco. Não é verdade! O surto não afetou todos da mesma forma. As consequências do surto foram bem mais expressivas nos trabalhadores com vínculo precário, com baixos salários, nas pessoas que se deslocam em transportes públicos sobrelotados e que residem em casas sem condições de habitabilidade.

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Um estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública refere que “uma em cada quatro pessoas que ganham menos de 650 euros mensais (agregado familiar), perderam totalmente o seu rendimento, enquanto que nas categorias de rendimentos superiores a 2500 euros, apenas 6% de pessoas perderam o seu rendimento.”

Os mais vulneráveis são os mais afetados pelo surto e o surto pode ainda agravar as desigualdades existentes e a pobreza.

Neste período, na Península de Setúbal mais de 10 mil trabalhadores ficaram em situação de desemprego, sobretudo trabalhadores contratados a prazo ou contratados por empresas de trabalho temporário, e mais de 9 mil trabalhadores perderem uma parte substancial do seu rendimento, devido ao lay-off. Foram sobretudo as grandes empresas, com chorudos lucros nos últimos anos, como a Autoeuropa, a Navigator, a Visteon, a Delphi ou a TST que usaram e abusaram do lay-off, encontrando neste instrumento uma forma de obterem recursos públicos. Isto, comprova que o regime do lay-off tem sido aproveitado sobretudo pelas grandes empresas para reduzir salários aos trabalhadores.
Mais recentemente, a Lauak decidiu avançar com um despedimento coletivo de 197 trabalhadores na unidade de Setúbal e 52 na unidade de Grândola. Uma empresa que beneficiou de um conjunto de apoios públicos para o seu desenvolvimento, que beneficiou de recursos e formação públicos, nomeadamente no Instituto Politécnico de Setúbal, o que lhe permitiu alcançar um elevado nível de especialização adquiriu um elevado nível de especialização e que agora que se coloca a retoma da atividade do setor da aviação civil, pretende destruir quase 250 postos de trabalho.

Há trabalhadores e famílias que estão a atravessar um momento de extremas dificuldades e as medidas aprovadas pelo Governo não estão a dar a resposta aos problemas existentes. Trabalhadores que ficaram no desemprego e que não reúnem os requisitos para ter acesso ao subsídio de desemprego, trabalhadores em período experimental e trabalhadores com vínculos atípicos que ficaram sem qualquer apoio.
Não podem ser os trabalhadores a pagar a fatura desta crise. São precisas medidas para impedir o despedimento dos trabalhadores, para assegurar que os trabalhadores não têm perdas de rendimentos e que os salários são pagos na sua totalidade, para reforçar os apoios e as prestações sociais aos que se encontram em situação de maior fragilidade e apoiar as micro, pequenas e médias empresas para salvaguardar a sua atividade económica e os postos de

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