A mancha da democracia

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Sandra Cunha, deputada do BE

Na sequência do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, assistimos a uma onda mundial de manifestações contra a discriminação racial, a desigualdade de tratamento e o racismo estrutural. Portugal não foi exceção e, sob o mote “Vidas negras importam”, milhares saíram às ruas em várias cidades para dizer que o racismo e a violência não são aceitáveis e não mais serão toleradas.

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O que se passou a seguir nas redes sociais, nas ruas e nas paredes não deixa margem para dúvidas. A extrema-direita com toda a sua violência e intolerância está em Portugal e já não se esconde.

O raide de inscrições em muros de escolas, monumentos ou outro tipo de edifícios que surgiram nos últimos dias em vários concelhos de Lisboa denunciam bem o ódio que move a extrema-direita e os seus tenebrosos motivos ideológicos. “Europa aos Europeus”, “Portugal é branco”, “Morte aos Refugiados”, “Fartos do cheiro a catinga”, “Árabes e pretos fora”, são palavras que, mesmo já se sabendo ao que vêm, continuam a surpreender e a chocar pela violência que carregam.

Surpreendem também porque já não são ditas em surdina nem se tentam esconder dos olhares públicos. Pelo contrário, são proclamadas ostensivamente, com orgulho, quase como se o ódio e a violência fossem qualidades a enaltecer e não males a erradicar.
Chocam por serem incentivadas por quem tem altas responsabilidades políticas. A cópia portuguesa de Trump e Bolsonaro ensaia o mesmo estilo, o mesmo populismo e debita as mesmas alarvidades alinhavadas num punhado de chavões racistas, homofóbicos e misóginos.

Do convite à devolução de uma deputada negra à sua terra à defesa de que o racismo é uma treta, um fantasma e que não existe, às estupidezes da “coragem de macho” ou do “isto só lá vai à bastonada”, André Ventura representa tudo aquilo que agonia. Mas, mais do que isso, representa a legitimação do racismo e o incitamento ao ódio e à violência. Discípulo aplicado daqueles que perpetram os mais vis ataques aos Direitos Humanos e representam o mais alto desprezo a quem tem uma maior concentração de melanina, André Ventura tudo faz para ficar num anexo da história das piores ideias e governos do século XX.

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