Educação no século XXI

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Cristina Rodrigues - Deputada não inscrita

A Educação está na base da nossa sociedade desde sempre. É através dela que as mentalidades se manifestam ou se alteram, que os comportamentos e valores ganham corpo, e que vão depois alimentar e sustentar a forma como vemos e estamos no mundo.

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A escola pública, universal e tendencialmente gratuita, encontra garantia na nossa Constituição e não podemos deixar de enaltecer os esforços concertados de todos os professores que, diariamente, se entregam a esta missão. Desafiantes são não só os conteúdos programáticos extensos como a heterogeneidade das turmas que, segundo diversos especialistas, deveriam ser menores. Falta ainda, defendem muitos, motivação aos alunos, e aos professores a capacidade de captar e manter o interesse, num mundo onde as solicitações de atenção são inúmeras e constantes!

E não bastassem estes desafios, eis que a Covid-19 trouxe mais alguns, sobretudo os relacionados às desigualdades ao acesso às tecnologias para trabalhar ou estudar remotamente. Se já muito antes da crise sanitária se falava na necessidade de reflectir profundamente sobre a Educação, esta será agora ainda mais premente! Joaquim Azevedo, investigador e professor da Universidade Católica e doutorado em Ciências da Educação, dizia em 2016 que o nosso modelo escolar vem do século XVIII e não está adaptado à realidade.

E, em sentido similar, o Decreto-Lei n.º 55/2018, datado de 2018, reconhece que somos já uma sociedade que enfrenta “os novos desafios, decorrentes de uma globalização e desenvolvimento tecnológico em aceleração, tendo a escola de preparar os alunos, que serão jovens e adultos em 2030, para empregos ainda não criados, para tecnologias ainda não inventadas, para a resolução de problemas que ainda se desconhecem”. Embora, segundo temos visto, a grande maioria das escolas continue a trabalhar com currículos e metodologias uniformizados, em que as disciplinas são o ponto central, há algumas pedras no charco que importa conhecer e incentivar!

Estes modelos pedagógicos centram-se não na transmissão dos conhecimentos, mas no aluno que, incentivado na busca de respostas à sua curiosidade natural, se torna construtor activo da sua própria aprendizagem. São modelos inovadores que apostam no recurso a metodologias interactivas e incentivam a cooperação e os projectos de trabalho em grupo, estimulando o contributo diferente que cada participante pode trazer. O professor assume desta forma a figura de tutor e líder, num cenário de verdadeiro diálogo, e não a de educador formal.

No nosso país, existem já alguns estabelecimentos que desenvolvem um ensino dito alternativo que assentam em métodos High Scope, Waldorf, construtivista e outros que vale a pena pesquisar e conhecer melhor. Mesmo no nosso distrito, há escolas diferentes como o Agrupamento da Boa Água, em Sesimbra, o projecto Raízes, em Palmela, ou o Jardim Alfazema, no litoral alentejano. Todos estes projectos provam que o ensino não precisa de ser igual para todos.

E esta, creio, é a verdadeira educação do século XXI: centrada nas Pessoas, incentivando cada um a descobrir a sua curiosidade e a desenvolver o seu verdadeiro potencial!

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