Pandemia não significa intolerância e racismo

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Nuno Canta, Presidente da Câmara Municipal do Montijo

Durante os últimos meses, os montijenses lutaram para travar a pandemia. Em todo o lado, temos visto gestos de coragem, de solidariedade, de fraternidade e a intenção de muitos em salvar vidas. Contudo, a crise sanitária, económica e social arrastou consigo vários inimigos da democracia, como a intolerância, a perseguição, o racismo e as desigualdades entre as pessoas.

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Nas redes sociais e nas ruas são notórias as tentativas para apresentar agendas politicas intolerantes, persecutórias e racistas. No Montijo, alguns desses extremistas, ousaram mensagens intolerantes contra os migrantes em Pegões, contra os trabalhadores temporários das indústrias de carne no Montijo ou mesmo contra os ciganos montijenses.
Existem muitas coisas que a sociedade pode fazer para melhorar as condições dos mais vulneráveis, dos perseguidos e dos migrantes. Ações concretas que podem fortalecer o sentimento de pertença e o respeito mútuo entre as pessoas.

Nesse sentido, durante a crise pandémica, uma das medidas mais significativas, decidida pela Câmara Municipal do Montijo, foi a aprovação do Plano Municipal para a Integração dos Migrantes, uma medida singular no país e um compromisso solene para não deixar ninguém para trás. O plano em referência é um instrumento estratégico para a integração dos migrantes e para a coesão social do Montijo.

Todavia, crucial para qualquer política de integração são, também, as atitudes das pessoas para com os outros.

A democracia está hoje profundamente enraizada no nosso concelho. Os montijenses respeitam os direitos e as liberdades fundamentais.

As teorias intolerantes e racistas perversas nunca ganharam espaço entre nós. Os montijenses gostam de se ver como pessoas de mente aberta, solidárias e tolerantes.
Mas, como sabemos pela experiência de vida e pela história, isso não é assim tão simples.

A intolerância, a perseguição e o racismo não precisam de estar enraizados numa determinada teoria execrável. As suas origens são muito mais básicas. A intolerância, a perseguição e o racismo estão enraizados na vida quotidiana. Eles crescem nas redes sociais, nos locais de trabalho, nos bairros da cidade e, mesmo, nos nossos vizinhos. Eles dão alento às nossas falhas, erros e desapontamentos. Acima de tudo, eles são uma expressão da ignorância e do medo. Ignorância acerca da riqueza e da singularidade das outras pessoas. Medo de perder uma posição no emprego, um privilégio social, um direito adquirido.

É certo que a cor da pele, a raça, a língua e o local de nascimento nada têm a ver com as qualidades humanas. Graduar as pessoas usando uma métrica de características físicas entra em claro contraste com os princípios da igualdade de direitos entre os seres humanos. É vergonhoso ver alguns a usar essa métrica para com aqueles que se sentem inferiores no emprego, na vida social, na igualdade de oportunidades entre rapazes e raparigas.

Por tudo isso, a intolerância, a perseguição e o racismo estão sempre à espreita, mesmo nas sociedades mais esclarecidas. Podem aparecer como uma provocação, uma retórica insensível, uma pequena maldade. Muitas vezes, sem o sentido de causar mal alheio.
No final, quase sempre, a intolerância, a perseguição e o racismo agravam feridas sociais que jamais podem ser saradas.

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