PENSAR SETÚBAL: O transplante de oliveiras centenárias para o Parque Urbano da Várzea

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Giovanni Licciardello - Professor

Ao fazer as minhas caminhadas habituais e ao passar pelo Parque Urbano da Várzea (PUV), lado Norte, entre a Rotunda do Lidl, a Rua Eng.º Henrique Cabeçadas e a estrada que liga a referida rotunda à Estrada dos Ciprestes, detectei trabalhos que consistiam em abrir buracos no solo, com o intuito de plantar árvores.

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Aproximei-me e deparei-me com algumas oliveiras com ar bem antigo, que se preparavam para serem transplantadas, juntando-se a algumas que já se encontram nesse local.

Fui confirmar e, de facto, está a nascer um olival em Setúbal, com a operação de transplante de oliveiras centenárias provenientes de Vila Nogueira de Azeitão, próximo da Estrada Nacional nº10, que foram posteriormente transportadas para Setúbal, onde foram colocadas no PUV, como referi atrás.

O PUV será o maior parque urbano do país, com cerca dezanove hectares. Estão previstas intervenções que incluem um lago artificial (que já se formou naturalmente com as águas pluviais), uma quinta pedagógica, campos desportivos e de aventura, parques infantis, miradouros, quiosques, percursos pedonais, jardins e áreas de recreio.

No âmbito deste projecto, está igualmente prevista a requalificação da Rua Eng.º Henrique Cabeçadas, o que inclui a possível relocalização da entrada da Escola Básica Barbosa du Bocage para esta via, que ganha uma bolsa de estacionamento para cerca de três centenas de automóveis.

Tal, a concretizar-se, afigura-se-me uma excelente ideia, contribuindo para evitar os congestionamentos de trânsito que existem actualmente na Av. de Angola e toda a zona envolvente, decorrente da entrada e saída dos alunos.

Há uns anos atrás, a entrada principal da Escola Secundária de Bocage (o Liceu) foi muito bem deslocalizada da Av. Rodrigues Manitto, para a Praceta Manuel Nunes de Almeida, precisamente pelos mesmos motivos.

Relativamente à cobertura vegetal, está prevista a plantação de cerca de sete centenas de árvores e de 30 mil arbustos previstos para o futuro parque.

A oliveira (Olea europaea) é uma árvore de fruto originária do Mediterrâneo Oriental, (actuais Palestina e Síria) e também do Norte do Irão, tendo-se daí espalhado por toda a bacia do Mediterrâneo e para além disso.

É uma árvore de cultivo muito antigo, com um grande simbolismo e importância agrícola e religiosa. Não atinge alturas muito elevadas, possuindo um tronco retorcido e muito grosso, que se vai progressivamente alargando com a idade.

Árvore extremamente eficaz contra a propagação dos fogos, dado o seu poder calorífero de queima lenta, ao contrário das árvores resinosas.

A oliveira consegue aguentar longos períodos de frio e de seca, graças às suas longas raízes profundas, desenvolvendo-se em solos relativamente pobres.
Em Portugal, os maiores olivais concentram-se a sul do Tejo, onde a monocultura do trigo tem dado cada vez mais lugar à vinha e ao olival.

A plantação costuma ser feita no fim do Outono, ou início da Primavera.
A floração ocorre em Maio e a época de colheita da azeitona varia consoante a região do País, mas costuma iniciar-se em Novembro e prolongar-se até Janeiro.

Aplaude-se, portanto, esta iniciativa da formação de um olival, a norte do PUV, junto às ruínas das antigas instalações da Quinta do Paraíso, numa zona que agora foi reforçada com mais de meia centena destas belas e inspiradoras árvores.

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