Dragagens: Ministro do Mar, com cabeça na areia

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Nuno Carvalho, deputado do PSD

O título pode parecer deselegante, mas é fruto de uma atitude imprópria com que o atual governo nos tem confrontado

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A consulta pública da obra para melhoria de acesso marítimo ao porto de Setúbal foi imprópria. Ultrapassou os agentes económicos ligados à pesca e ao turismo, quando estas empresas e os seus trabalhadores deviam ser parceiros do Porto de Setúbal.

Naturalmente que o porto devia ser um parceiro do concelho e da região, por isso é fundamental agir como tal. Fazer uma obra como as dragagens que irão ser retomadas sem envolver o concelho e a região não é contribuir para a parceria que devia existir.
O rio Sado tem ativos naturais a proteger. Entre eles estão a pradarias marítimas. A Ocean Alive fez um trabalho de excelência quando se deslocou ao parlamento para uma audição na Comissão de Ambiente. Sensibilizou os deputados para a importância das pradarias marítimas e o seu papel na captura de carbono.

No rio Sado existem cerca de 2000 hectares de pradarias. No total do país são cerca de 30 hectares. Cada hectare permite sequestrar cerca de 830 quilos de carbono. Foram dados transmitidos na audição da Ocean Alive no parlamento.

Foi com particular esperança que vi o Ministro do Mar mergulhar no rio Sado. Esta esperança tão rápido se ergueu como foi derrubada pelo Ministro do Ambiente que mantém inalterada a sua posição sobre a dragagens.

Manifesto assim um significativo desagrado pelo facto de o Ministro do Mar ter utilizado o rio Sado e as dragagens para aparecer na televisão, e de seguida fazer desaparecer por completo a sua presença sobre este tema.

O histórico do Ministro do Mar já era mau quando respondeu por escrito à pergunta dos deputados do PSD sobre os danos gerados no setor da pesca. Afirmou na altura que não existiam danos.

Há danos na pesca, há danos nas pradarias, há danos nos operadores turísticos, há danos para nossa região. Não existe ação por parte do governo, incluindo o Ministro do Mar.

“Desenterrar a cabeça da areia” para mergulhar no Sado, acenar e sorrir para TV, para depois voltar a ignorar o assunto é tudo o que não precisamos de um ministro.
Na última audição parlamentar sobre este tema desafiei o Ministro do Ambiente a visitar as pradarias e a restante riqueza do rio Sado. Mantenho o convite, porque apesar de qualquer governante ser sempre bem-vindo a Setúbal, neste caso precisamos que venha um governante com poder de decisão.

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