Desconfinar sim, mas em segurança

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Carla Cisa, directora-geral da WeMob

Nos meses que se seguiram ao início da pandemia, e à medida que o número de pessoas infetadas ia crescendo um pouco por todo o mundo, Portugal era elogiado pela imprensa internacional, e não só, no que diz respeito às medidas que iam sendo anunciadas pelos nossos governantes no combate ao inimigo invisível. Os portugueses ficaram em casa e foram, também eles, elogiados pelo comportamento responsável que a maior parte adotou, num tempo estranho, para todos. Os profissionais de saúde foram elevados a heróis em tempo de guerra. O modo como fomos caminhando, e os resultados obtidos conduziram, em finais de maio, à criação de um plano de desconfinamento.

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Era previsível um aumento do número de infetados, nesta fase. E assim, tem sido. A esmagadora maioria de novos casos, mais de 80%, situa-se na Região de Lisboa e Vale do Tejo, tendo sido necessário, em algumas freguesias, dar um passo atrás e regressar–se ao estado de calamidade.

Para o aumento dos novos casos terá contribuído o regresso, de muitos, aos transportes públicos. As imagens que nos vão chegando, de comboios cheios e de autocarros e barcos a abarrotar, são reais e chocantes. À luta quotidiana de quem tem mesmo de ir trabalhar, de quem não pode esperar pelo próximo comboio, ou pelo próximo autocarro, junta-se agora o medo do contágio. São muitos os testemunhos que nos chegam. Todos referem a ausência de condições de segurança, e a impossibilidade de cumprirem o tão falado e sempre aconselhado, distanciamento social. As imagens não mentem. A ausência de fiscalização do cumprimento das medidas enunciadas pela DGS, a existência de poucos veículos para tantos utilizadores, e a não desinfeção dos meios de transporte, são as principais críticas apontadas.

O problema dos transportes públicos não é de agora. A situação agravou-se, inevitavelmente, com a pandemia. O problema não vai ser resolvido de um momento para o outro. É certo. Mas é preciso responder com urgência a um duplo desafio: assegurar meios de transporte a quem deles necessita, e garantir a segurança dos seus utilizadores.

Por outro lado, as empresas. A responsabilidade social das empresas no que diz respeito à defesa da saúde dos seus trabalhadores. As condições de segurança no regresso ao trabalho presencial têm de ser acauteladas. A implementação de horários desfasados, ou de regimes como o teletrabalho, contribuem não só para que seja mais fácil assegurar a distância física entre os trabalhadores, evitando a aglomeração de pessoas em espaços, por vezes reduzidos, ao mesmo tempo que evitam que todos se desloquem à mesma hora, nos transportes públicos. E porque, infelizmente, sabemos que nem sempre assim é, a fiscalização por parte das entidades competentes do cumprimento rigoroso das medidas impostas, é mesmo importante.

Tudo isto é preciso para que não se acentuem, nesta fase de desconfinamento, as desigualdades sociais.

Por último, a responsabilidade individual. Era bom que todos percebêssemos que, um passo atrás, será fatal para todos nós.

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