Um pequeno sacrifício por um grande martírio

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Francisco Ramalho, ex-bancário, Corroios

No passado dia 6, pelas 18, 30 horas, sob um sol abrasador, de máscara e conforme as distâncias regulamentares relacionadas com o surto viral, reuniram-se algumas centenas de pessoas no Largo Martim Moniz em Lisboa.

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A grande maioria dos nossos estimados leitores que, decerto, não são exceção, não teve conhecimento daquele ato público. Apesar de ter acontecido, como já se disse, no coração da capital. Também não temos qualquer dúvida que, se a divulgação do motivo que levou aquelas centenas de cidadãos a suportarem uma temperatura que rondaria os 40 graus, tivesse sido a que merecia (e merece), não seriam centenas, mas centenas de milhar.

O motivo da manifestação que foi convocada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e que contou com o apoio da CGPT-IN, do Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano (MPPM) e de outras organizações, foi demonstrar total solidariedade para com a Palestina e repúdio e condenação a Israel pelas continuadas violações dos mais elementares direitos do povo palestiniano. A última das quais, já anunciada e que consta no programa do novo Governo israelita que Netanyahu se prepara para concretizar : anexar cerca de um terço do território da Cisjordânia ocupado desde 1967.

Dezenas de resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas, condenam Israel pelas inúmeras violações do Direito Internacional. A criação de colonatos, a destruição de aldeias, escolas, hospitais, o bloqueio à Faixa de Gaza mesmo em tempo de pandemia, a violenta repressão contra quem se manifeste em relação a essas prepotências que já causou inúmeros mortos e feridos e cerca de 5 mil prisioneiros. Alguns dos quais, já com dezenas de anos de cárcere. Enfim, um imenso rol de barbaridades, de crimes e humilhações. E agora, como se disse, sempre no intuito de inviabilizar a Palestina como Estado livre e soberano, incluindo, evidentemente, toda a Cisjordânia.

Portanto, a honra que as centenas de pessoas tiveram em suportar durante uma hora e tal o tórrido calor, não passou de um pequeníssimo sacrifício, perante o grande martírio daquele povo.

Dizer que esta ignomínia , esta imensa arrogância e prepotência, só acontece, porque o sionismo, armado até aos dentes, inclusive ,como se sabe, com armas nucleares, conta com o total apoio dos EUA, mais uma vez reiterado por Trump ,e com a complacência da União Europeia que, por vezes, faz criticas pontuais, mas depois os acordos comerciais e outros e o alinhamento com os EUA, falam mais alto.

Contra a lei da selva, contra a força bruta, pela paz, os manifestantes, exigiram ainda que o Governo português, se demarque da prática e das intenções do seu homólogo israelita, e que reconheça de imediato, a soberania do Estado da Palestina nos referidos territórios ocupados e o respeito pelos direitos do seu povo. E gritou-se bem alto, Palestina vencerá!

E o eco chegou aqui ao “O Setubalense”. Tristemente, não à grande maioria dos media dominantes.

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