3 Dezembro 2020, Quinta-feira
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Diocese de Setúbal criada há 45 anos

Hoje, faz 45 anos que foi criada pelo herói e mártir S. Paulo VI a Diocese de Setúbal e nomeado o seu primeiro Bispo: D. Manuel da Silva Martins. Há muito se esperava pelo reconhecimento da maturidade eclesial deste grande punhado de cristãos católicos que viviam na Região de Setúbal. Este acontecimento suscitou, em muitos, duas reações: uma de grande alegria pela criação da Diocese; outra de enorme deceção, por ter sido escolhido para bispo uma pessoa, totalmente, desconhecida.

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As grandes expetativas estavam na nomeação do Cónego João Alves que conhecia bem o território da nova Diocese e as suas gentes. Para além disto, tinha sido o principal artesão desta Igreja Particular. Ao contrário do desejado, ele foi mandado para Coimbra, como Bispo Auxiliar, e, para Setúbal, tinha sido escolhido um padre da Diocese do Porto. Sempre que se celebrar o aniversário da Igreja sadina nunca se deverá esquecer uma palavra de gratidão a D. João Alves. Dele me ficaram muitas e gratas memórias no que respeita a ensinamentos e propostas de vida. Jamais esquecerei o dia em que, em Fátima, onde o visitei algumas vezes, a propósito de situações que me incomodavam na Igreja, disse-me: só critica a Igreja quem a ama. Percebi o alcance desta mensagem. Pior é a indiferença e a resignação perante o mal.

O desenvolvimento da Região de Setúbal seria, hoje, bem diferente se, no plano religioso, não tivesse, há 45 anos, assumido o estatuto de Diocese, sem esquecer também a ação benéfica de outras Confissões Religiosas. A identidade e autonomia regionais saíram mais reforçadas; a criação de condições para uma maior consciência de participação nas causas públicas passou a ter mais uma instância motivadora; o desenvolvimento económico e social tornou-se mais humano, por se ter assumido, com maior vigor, a importância da Pessoa. Poderia objetivar, com exemplos de ações concretizadas, o que acabo de afirmar, mas realço duas das mais evidentes que foram: a criação do Plano de Emergência e a Operação Integrada de Desenvolvimento para a Península de Setúbal (OIDPS). Tudo seria diferente, se o primeiro Bispo de Setúbal não tivesse sido quem foi.

D. Manuel Martins foi, em Setúbal, o expoente mais alto da intervenção, durante os 23 anos em que esteve em Setúbal, nos principais vetores necessários para um desenvolvimento verdadeiramente humano. Foi um Bispo que soube ler os sinais dos tempos e agir em conformidade; sabia escutar e recolher das pessoas o que de melhor (mesmo que pouco) elas tinham; aberto a todas as correntes de pensamento sem dogmatismos inúteis nem preconceitos; de mãos sempre estendidas a toda a colaboração, sem receio de delegar qualquer forma de poder; sensível aos problemas e expetativas dos outros; propondo sem impor. Revelou-se, ao contrário dos desiludidos com a escolha dele para Setúbal (nos quais eu me incluía), o Bispo certo para esta Diocese. Afinal, surpreendeu pela positiva.

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No dia 26 de outubro de 1995 ( nos 20 anos da sua Ordenação Episcopal) escreveu: É hora de agradecer a Deus todos os desafios que me lançou nos tempos difíceis em que me chamou a servir este povo, o bom clero, religiosos/as que me deu, os leigos empenhados e coerentes que pôs a fazer marcha comigo.

Sei que interpreto o sentir de muitos ao dizer: D. Manuel, nós é que estaremos sempre infinitamente gratos a Deus pelo dom que concedeu à Igreja de Setúbal na pessoa do seu primeiro Bispo.

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