Saúde mental em tempos de pandemia

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Sofia Araújo, deputada do PS

Em décadas, a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19) é a maior emergência de saúde pública que a comunidade internacional enfrenta, uma situação inédita e absolutamente singular.

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Identificado na China no final de 2019, o COVID-19 tem um alto potencial de contágio e a sua incidência aumentou exponencialmente, tendo sido reconhecida a sua transmissão generalizada como uma pandemia, pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para além das preocupações quanto à saúde física, o vírus traz também preocupações quanto ao sofrimento psicológico, que pode ser experienciado tanto pela população em geral como pelos profissionais de saúde envolvidos.

Informações dúbias ou mesmo falsas sobre fatores relacionados com a transmissão do vírus, o período de confinamento e isolamento social, o seu alcance geográfico, o número de infetados e a sua taxa de mortalidade real levam à insegurança e ao medo na população.

A situação de incerteza, acentuada pelas medidas de controle e pela falta de mecanismos terapêuticos eficazes, conduz a implicações diretas no quotidiano e na saúde mental da população.

É importante entender as repercussões psicológicas e psiquiátricas de uma pandemia, bem como considerar as emoções envolvidas.

Estudos revelam que, durante as pandemias, o número de pessoas cuja saúde mental é afetada tende a ser maior que o número de pessoas afetadas pela infeção. Tragédias anteriores mostram que as implicações para a saúde mental podem durar mais tempo e ter maior prevalência que a própria pandemia e que os impactos psicossociais e económicos podem ser incalculáveis se considerarmos a sua repercussão em diferentes contextos.

Além de um medo concreto da morte, o COVID-19 tem implicações noutras esferas. Uma nova organização familiar, o encerramento de escolas, empresas e locais públicos, as mudanças na rotina de trabalho, o isolamento social, potenciam uma série de riscos e consequências para a saúde mental.

Estudos sobre implicações na saúde mental decorrentes da pandemia ainda são escassos, por se tratar de um fenómeno recente, mas apontam para repercussões negativas importantes.

Os profissionais de Saúde Mental podem dar importantes contributos para enfrentar as repercussões da COVID-19, realizando intervenções psicológicas durante a vigência da pandemia, minimizando implicações negativas e promovendo a saúde mental, bem como em momentos posteriores, quando a população necessitar de se readaptar e lidar com as perdas e as transformações ocorridas.

Psiquiatras, psicólogos, enfermeiros psiquiátricos e assistentes sociais, desempenham um papel central e devem estar na linha da frente, desempenhando um papel de liderança nas equipas de planeamento e gestão de emergências. Prevenir, cuidar e tratar, em conjunto, é o objetivo.

Políticas públicas de saúde mental, em conjunto com estratégias de resposta a epidemias e pandemias, antes, durante e após o evento, são essenciais.

Em Portugal, o Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, e extensão a 2020, definiu as estratégias para a área da saúde mental, incluindo a reforma dos serviços de saúde mental, com objetivos concretos.

Este plano visa assegurar a toda a população portuguesa o acesso a serviços habilitados a promover a sua saúde mental, prestar cuidados de qualidade e facilitar a reintegração e a recuperação das pessoas com doença mental.

No âmbito da COVID-19, e apesar de todos os constrangimentos consequentes de uma pandemia, os serviços de saúde mental do SNS organizaram-se para dar resposta
às necessidades da população, pois “NÃO HÁ SAÚDE SEM SAÚDE MENTAL”.

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