A (des)união europeia

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Mário Moura - Médico

À hora a que escrevo estas reflexões debatem-se em Bruxelas os ministros dos países que constituem a União Europeia afim de chegarem a um acordo sobre que resposta dará esta União à tremenda crise que se vive na Europa ( e em todo o mundo ) pela pandemia da “covid 19”. Uma resposta, não aos problemas sanitários, mas ás consequências económicas e sociais dependentes do chamado “confinamento” , isto é, a paragem de toda e qualquer movimentação das populações, para assim impedir que as pessoas infetadas com o tal vírus não o andem a propagar a outras pessoas. Só com esta paragem global das gentes , associada a medidas de higiene, se pode impedir que o tal vírus continue a espalhar-se pelas populações, a provocar pneumonias e outras lesões que ainda ninguém sabe verdadeiramente quais são nem como se podem impedir.

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E não é à falta de estudos e experiências de cientistas nos seus laboratórios e dos serviços de saúde nos seus hospitais por todo o mundo, que se continua sem medidas certas e eficazes para conter a expansão da doença. Mas os governos dos países vêm assim paralisada toda a economia – não se trabalha, não se produz, não se exporta, não se cobram impostos, não se acumulam lucros, abrem-se falências, aumentam os desempregados, passa-se fome e…revoltam-se as populações. Numa palavra – o mundo para!

Mas, como todos sabemos, há países ricos e países pobres, e em cada país há uns tantos ricos e uma quantidade de remediados e uma multidão de pobres. A uns faltam-lhe os lucros e a outros faltam os meios para comer e fazer frente aos encargos inerentes à sua posição na sociedade. Os governos e os donos dos capitais fazem o possível para, tentando conter a progressão da doença, tentar evitar os desastres económicos e consequente agitação social. Enfim, o mundo está numa grave crise como nunca se atravessou, nem mesmo após as guerras do sec XX.

E como num país todos temos de colaborar no esforço para sobreviver a este descalabro, também na União Europeia todos têm de se unir para encontrar soluções para resistir a este verdadeiro cataclismo económico e social – e por isso estão reunidos há três dias, em Bruxelas, os ministros de todos os países – os mais ricos e os remediados – para se ajudarem a reequilibrar a vida económica e social de todos. Mas até a este momento em que escrevo, os mais ricos não querem dar o que se estima necessário para equilibrar a vida dos mais necessitados. Ou querem controlar os dinheiros que se entregarem aos mais pobres intervindo nas suas políticas internas. O espírito solidário não parece abundar nalguns e outros querem tirar proveito da situação dramáticas dos mais aflitos. E em alguns países surge a pergunta: afinal para que serve a União Europeia? Afinal para que serve ema Comissão e um Parlamento europeu? Como estamos longe do espírito dos políticos que sonharam e formaram esta União!

O individualismo, os nacionalismos exacerbados, têm corrompido a União Europeia ameaçando o seu desmembramento e criando de novo um ambiente propício ás guerras que se sucederam no século passado.. A nossa situação, nossa em Portugal, é tão grave que faço votos que, quando me lerem, o panorama seja mais prometedor, mitigando os resultados da pandemia que não sabemos quando nos deixa em paz. Que á doenças e ás mortes se não junte a fome e outros sofrimentos sociais!

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