Homenagem aos 88 magníficos que marcam a nossa vida colectiva há mais de 100 anos

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Francisco Alves Rito, director de O Setubalense

Aos 165 anos, O SETUBALENSE curva-se perante a obra de associações, clubes, misericórdias e até empresas, nos domínios da cultura, desporto, vida comunitária e apoio social

 

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Esta edição comemorativa dos 165 anos d’O SETUBALENSE é uma homenagem do jornal a todas as instituições centenárias do distrito de Setúbal. Fizemos o levantamento e apresentamos o desfile das associações, clubes, misericórdias e algumas empresas, de todos os 13 concelhos da região, de Almada a Sines, que venceram o tempo, o desânimo e a inércia durante pelo menos um século.

Os 88 magníficos, como lhe chamamos aqui – incluindo O SETUBALENSE, que não se coloca à parte – são uma obra social notável, um exemplo extraordinário da capacidade que mais distingue os seres humanos dos demais animais, a cooperação, e um poderoso instrumento comunitário.

A cooperação em larga escala permitiu aos homens colaborarem de formas extremamente flexíveis com uma quantidade ilimitada de estranhos, o que, para Yuval Noah Harari, nos deu o domínio do mundo sobre as outras espécies, e essa capacidade está à vista nestas colectividades. Tudo o que estas instituições construíram era impossível a um homem só.

Cada um destes 88 magníficos polos fervilhantes de vida, dispersos por todos os concelhos do distrito, teve um papel único. A importância do Club Setubalense ou da Capricho, em Setúbal, em nada ofusca o brilho histórico da “Calceteira” e da “Pazôa”, em Alcácer, nem supera a notoriedade da “Incrível” ou da “Academia”, em Almada, nem suplanta o valor da 1.º de Dezembro, do Montijo, ou da “Imparcial”, de Alcochete.

A acção das organizações dos pescadores, como a SCUPA, do Montijo, ou os Socorros Mútuos, de Sesimbra, não foi mais importante do que a das misericórdias, ou das outras associações de classe, como as sociedades operárias do Seixal ou de Grândola. O contributo para o desporto ou para a vida social não foi menos relevante do que na cultura ou na assistência humanitária.

Os méritos e os benefícios da existência destes agentes foram reconhecidos e partilhados em cada uma das localidades onde nasceram e em todos os grupos sociais que os geraram ou acolheram. Mas hoje, infelizmente, já não têm o reconhecimento que deviam. É certo que a vida mudou, e as colectividades nos parecem menos úteis, mas, cuidado, podem ser muito mais necessárias do que aparenta.

A família e a comunidade foram substituídas pelo Estado e pelo mercado, que são agora os garantes absolutos da satisfação das necessidades sociais e individuais, tanto básicas como voluptuárias, mas não podemos esquecer que ainda não chegámos ao fim da história.

Quando tivermos de nos reinventar como cidadãos, provavelmente estas estruturas sociais também terão que ser reconstruídas, porque, se, como diz Viriato Soromenho-Marques, era nos jornais que os leitores aprendiam a tornar-se cidadãos, foi neste género de instituições que os homens melhor exerceram a cidadania.

Revista grátis com o jornal

Esta grande edição de aniversário inclui também a revista A REGIÃO, em que procuramos deitar um olhar ao futuro. Pedimos a 14 personalidades da região que nos dessem a sua visão sobre as próximas décadas nas suas áreas. Temos, por exemplo, Soromenho-Marques a perspectivar a região e o mundo, Teresa Almeida e Carlos Humberto de Carvalho a vislumbrarem o planeamento na grande área metropolitana, e Sofia Martins a pensar sobre como será o Poder Local nos próximos anos.

Livro ‘Setúbal no centro do mundo’ por mais 15 euros

Com esta edição pode comprar o livro comemorativo dos 165 anos d’O SETUBALENSE, que está à venda nas papelarias a partir de hoje e durante mais algumas semanas. São 404 páginas de história de Setúbal, da região, do país e do mundo, sob o prisma do que foi a publicação do jornal neste período.

Para vincar a importância do jornal enquanto fonte histórica, o historiador Albérico Afonso Costa coordenou uma equipa de 20 autores e o resultado, acreditamos, é uma obra que será, certamente, uma referência para o estudo da história local e regional.

Apesar das centenas de entradas, naturalmente não coube tudo nestas páginas, nem mesmo todas as figuras locais que gostávamos de tratar. Não pretendemos fazer uma relação exaustiva das personalidades com valor histórico, porque não era esse o escopo do livro, pelo que a escolha implica, necessariamente, como qualquer escolha deste género, que muitas possibilidades foram preteridas e algumas até injustamente esquecidas.

Talvez no futuro O SETUBALENSE possa fazer esse levantamento exaustivo de figuras locais e regionais.

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