Imortal sem mão de Deus ou de Vata

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Mário Rui Sobral, jornalista

O Vitória, no último domingo, não festejou a sobrevivência. Primeiro, porque o clube sadino será sempre imortal, enquanto houver memória e existir um setubalense; depois, porque a onda de apoio e de demonstração de grandeza registadas foi, sim, o celebrar da perpetuação dos sadinos num lugar que é o seu por mérito, entre os maiores, como o atesta o passado e o presente e certamente como o reforçará o futuro. Com mais ou menos cinco patéticos centímetros. De desespero ou de (in)verdade desportiva?

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O que o Vitória e Setúbal comemoraram foi competência própria nos momentos decisivos, humildade, capacidade de superação e direito a continuar a manter acesa a chama de um historial brilhante e de um ADN invejável.

Uma coisa é uma I Liga engrandecida com a alma vitoriana, com os alicerces históricos de quem muito contribuiu para o crescimento e projecção do futebol português aquém e até mesmo além-fronteiras. Outra coisa é uma I Liga despojada dessa grandiosidade, sem a riqueza de uma inexplicável e inigualável mística que se vive, sente e respira por todos os poros, embalada pela força dos ares da maresia do Sado, capaz de resistir a cinco dedos (leia-se, centímetros) de dianteira infeliz.

De Jacinto João a Vítor Baptista, passando pelo clã Mourinho, entre tantos, mas tantos outros, o que já não deu Setúbal e o Vitória ao futebol nacional e internacional? Mais do que muito.

No domingo, a cidade ergueu-se e, uma vez mais, provou que o Vitória, além de pertencer ao grupo dos históricos, é igualmente ímpar, como os maiores, ou não fosse este o clube que ostenta o epíteto de Enorme e que há muito se tornou imortal.
O resto é uma mão de Deus ali e uma de Vata acolá. No Bonfim houve uma mãozinha de centímetros para variar no rigor e dedo de Vidigal para acertar na estratégia.

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