Mais de um ano de estranhos silêncios

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Manuel Henrique Figueira - Munícipe de Palmela

Em 14/05/2019 saiu aqui o meu último artigo sobre a Estação Ferroviária do Pinhal Novo, por acabar desde 2004 (por causa da Torre), de que resultou a escassa oferta de comboios para milhares de utentes entre Setúbal e Lisboa. Neste ano e dois meses não ouvi os deputados do distrito, os autarcas, as autodenominadas comissões de utentes, vi apenas a resignação dos sacrificados utentes perante este silêncio.

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É normal, entre Setúbal e Coina, haver só um comboio por hora na linha que era a solução de transporte de qualidade e em quantidade para reduzir os carros na ponte 25 de Abril?

É normal os dois comboios da CP (pelo Barreiro) e o da Fertagus (pela ponte 25 de Abril) ocorrerem em trinta minutos de cada hora e nos outros trinta não haver um?

Como simples cidadão pouco posso fazer, mas agi junto do Ministro e do Secretário de Estado das Infraestruturas, fui recebido por três deputados do distrito (aguardo ser por outros), agirei junto do Conselho Superior das Obras Públicas, dos Presidentes da CP, da Infraestruturas de Portugal e da Área Metropolitana de Lisboa.

De quem bloqueou a obra da Estação em 2004 só espero ataques «ad hominem», desculpas sem sentido e a exigência de investimento público como solução; mas há um silêncio que me intriga, tanto mais que é bem visível o empenho e a obra feita (e em curso: p. ex., a interface do Bonfim) na melhoria da mobilidade: é o da Presidente Dores Meira.

Entretanto, obtive dados que mostram o absurdo da oposição feita, em 2003 e 2004, pelo chamado Movimento de Cidadãos pelo Pinhal Novo (MCpPN), quando da obra da nova Estação, em pretensa defesa apenas da Torre como património histórico.

Antes da centralização nacional da gestão do tráfego ferroviário (que contou com a progressiva introdução do COVEL), o Pinhal Novo era um posto regional de controlo. Para isso a Torre era essencial, mas também o Pórtico mecânico de semáforos (da antiga geração de palhetas, anterior à digital), que foi removido para se instalar a catenária e electrificar a linha.

A Torre ficou, pois não perturbava a operação dos comboios (só passou a ser problema para fazer a nova Estação), mas o Pórtico de semáforos foi demolido (talvez esteja na sucata), embora fosse tão importante preservá-lo como a Torre: contextualizava a função desta. Esqueceram-se dele porquê?

A ignorância dos «patrimonialistas» do MCpPN (que recusaram que a Torre ficasse trezentos metros a Sul na Estação para se acabar a obra, como propôs a REFER) revela-se no esquecimento em preservar o Pórtico. E ambos (recusa da mudança da Torre e esquecimento do Pórtico) só têm paralelo na indiferença, desde 2004, pelo abandono da Torre e pelas centenas de milhares de utentes que viram limitada a oferta de comboios. E os autarcas (em sintonia com o MCpPN, incubado na Junta de Freguesia) recorreram para o IPPAR-Instituto Português do Património Arquitectónico, bloquearam a obra e nós ficámos sem mais comboios.

O nefasto papel do MCpPN na absurda oposição às soluções da REFER faz parte da cega oposição aos Governos por parte de certo poder local, de que resultou o atraso da Península de Setúbal em vários aspectos, comparada com outras regiões do país: Almada tinha cerca de vinte bairros de barracas em 1974, hoje tem o dobro; o Seixal tem como ex-libris o velhinho e famoso Jamaica; a recolha selectiva de resíduos sólidos recebeu prémios internacionais, mas isso é nos concelhos ditos «reacionários» do Norte; soluções modernas e inovadoras na preservação, valorização e oferta turístico-cultural dos recursos naturais, vemos muitas, mas é acima do Tejo (a Arrábida continua sonâmbula e abandonada); etc.; etc.

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