O privilégio de “ter” um animal

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Cristina Rodrigues - Deputada não inscrita

Ahhh, férias!

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Para a maioria de nós, é sinónimo de descanso, de maior liberdade, de viajar e conhecer novos horizontes. Para muitos de nós, haverá pouca coisa melhor.

Contudo, para aqueles que trabalham ou conhecem de perto o movimento associativo em defesa dos animais, Verão é também sinónimo de aumento de abandono! Sabemos que esta prática lamentável ocorre durante todo o ano, mas nos meses de férias há um aumento exponencial pelos motivos que parecem transitar de ano para ano.

A Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) não tem dados concretos quanto ao número de animais que são abandonados em Portugal, embora refira no seu site que anualmente são cerca de trinta mil animais de companhia que dão entrada em centros oficiais de recolha. Importa ainda referir que destes, apenas 35% voltam a ter uma família! As entidades de protecção animal garantem que nos últimos anos os casos de abandono continuam a aumentar, mesmo havendo, desde 2014, legislação que penaliza criminalmente este acto. Segundo informação veiculada na Comunicação Social, aumentou também o número de queixas apresentadas à PSP e à GNR, não só por abandono mas também por maus-tratos, mas isso não parece demover quem os pratica.

Pessoalmente, não entendo quem o faz – e espero nunca entender – pois colocar em causa membros da família devido a meia dúzia de dias de férias parece-me no mínimo estranho. Os nossos animais são a mais fiel companhia que podemos ter, para o melhor e para o pior mantêm-se ao nosso lado…! Como é possível abdicar dessa dedicação, desse amor? Sabemos que o abandono traz sequelas incontornáveis. Como podemos sequer pensar em causar tanto mal a quem nos quer tanto bem? Ainda para mais quando, hoje em dia, temos diversas possibilidades de contornar a situação de forma a não haver danos para ninguém, à excepção de algumas crises de ansiedade e toneladas de saudades (sobretudo por parte dos humanos!) que rapidamente serão sanadas.
Uma delas é levar o animal connosco. Hoje em dia há inúmeras unidades hoteleiras que se dispõem a receber a totalidade da família, incluindo os membros de 4 patas. Uma outra opção passa por alugar uma casa ou apartamento, cujos proprietários sejam favoráveis à presença de animais.

Se julga ser preferível não levar o seu bichinho, pode sempre optar por colocá-lo em hotel. Também já existem muitas ofertas deste serviço um pouco por todo o país. Dentro desta lógica mas para animais mais territoriais há ainda quem se desloque a casa e cuide do animal no conforto do seu lar.

Numa óptica de maior poupança e proximidade, podemos sempre pedir apoio a alguém da nossa família ou do nosso círculo de amigos propondo que “hoje tratas tu dos meus, amanhã trato eu dos teus”. Claro que esta opção exige confiança adicional e não será a melhor para todos os casos. Há também quem se disponibilize a acolher os animais em sua casa e a tratá-los como seus.

Talvez este seja um tema que alguns considerem já gasto, mas para quem sente empatia e amor por estes Seres maravilhosos com quem partilhamos a vida, toda a sensibilização para o não abandono é necessária. “Ter” um animal não é um direito é um privilégio! Independentemente da altura do ano.

Boas férias!

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