Tragédia vitoriana

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Francisco Alves Rito, director de O Setubalense

Os vitorianos podem esperar o melhor mas devem preparar-se para o pior

O drama económico em que o Vitória vive há muitos anos transformou-se agora numa tragédia para o clube, cidade e região. A gravidade da situação actual é diferente de todos os casos anteriores e muito maior do que tem sido, até agora, admitida pelos dirigentes.

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Infelizmente, não se trata de mais um episódio meramente administrativo que acaba por ser ultrapassado como tem sido em anos passados. É grave porque não se vislumbra como pode ser revertida a decisão da Liga. O recurso, apresentado como última hipótese de salvação, não tem poder para sanar os vícios de que padece o processo de inscrição do clube, designadamente para que possa ser apresentada ainda a declaração de não divida às Finanças que não foi entregue atempadamente. O prazo terminou e os documentos não podem simplesmente ser substituídos ou entregues agora.

O “Justo Impedimento”, que o Vitória invoca, para justificar a omissão da Assembleia Geral em que tinha obrigatoriamente de ser aprovada a transmissão dos terrenos do clube para a SAD, é lateral. O ponto é que a AT não emitiu a declaração de não divida. Já a razão por que não o fez, mesmo que assista alguma razão ao Vitória, é do foro da relação entre o clube e a AT, lateral ao processo de inscrição na Liga.

Perante este quadro, é bom que os vitorianos e setubalenses tenham perfeita noção da gravidade da situação. Temos de encarar a realidade com a postura adequada a uma tragédia; prepararmo-nos para o pior, embora ainda com alguma esperança num milagre.
Certo é que, ao contrário da tragedia grega, em que há um herói que luta contra a catástrofe, para o Vitória não haverá salvador. Responsáveis é que há muitos, e até culpados, mas não é agora a altura de tratar esse tema.

Esperemos que, se o desfecho for o pior, o choque possa gerar a catarse necessária para podermos fazer renascer o Enorme. A mística existe, como se viu no domingo, não tem é havido dirigentes à altura.

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