29 Novembro 2020, Domingo
- PUB -
Início Opinião Um estuário que temos de (re)interpretar

Um estuário que temos de (re)interpretar

O COVID-19 surgiu nas nossas vidas como um furacão que absorve toda a nossa atenção. Fá-lo, inclusivamente, com todo o “chinfrim” mediático que ironicamente a nossa moderna civilização possibilita. É expectável que isso aconteça, estamos perante uma emergência de saúde pública, temos uma preocupação natural com aqueles por quem temos afeto, connosco próprios e, claro, com o que será o nosso futuro próximo e o futuro mais além. Neste processo, a esperança, a ciência e a solidariedade serena e responsável são as nossas maiores aliadas. Por força da necessidade de respeitar o distanciamento social que permite travar o contágio, muitos de nós (a larga maioria, espero) estão em casa, por nós e pelos outros. Nunca tivemos tanto tempo para fazer tão pouco e essa sensação, hoje em dia, é-nos algo contraditória e quase desconhecida. No entanto, podemos sempre e até devemos, refletir.

- PUB -

A verdade é que estamos a ser submetidos a uma espécie de espelho gigante, em que conseguimos ver claramente (entre tantas) uma coisa – prioridades . Nesse espelho, essas prioridades são um pouco como a beleza, no sentido em que cada um avistará as suas… Todavia, o útil é analisarmos a nossa capacidade de gerar prioridades coletivas e percebermos não só como se processam, mas também aferir a necessidade de redefinição. De entre várias que poderia referir, desde o SNS, o combate à desinformação, ou os novos moldes laborais, comerciais e de produção, há um reflexo que sobressai e que hoje me traz aqui – a nossa relação com o ambiente.

É curioso pensar o que se passará na cabeça dos pombos na Praça do Bocage ou dos golfinhos-roazes do Sado. Os primeiros talvez pensem que estamos “de birra” com eles pela pouca deferência que têm mostrado para com as nossas cabeças. Os segundos, de certeza, estarão a apreciar a tranquilidade. Isto para dizer que o planeta há muito precisa de descansar de nós e de um modo de vida que cada vez mais o esgota até ao ponto da saturação. Precisamos de uma nova síntese ecologista que reforce o mutualismo como algo basilar na nossa relação com o planeta.

A necessidade de um novo diálogo é bem visível na Península de Setúbal. Poucos sítios no mundo terão a conjugação tão abençoada de serra, mar, praia, fauna e flora que a torna especial e única. Mas a sua salvaguarda não passa pelo imobilismo e “deixa-andar” do desordenamento do território. O estuário do Sado merece respeito, mas este passa também pela reinterpretação de políticas e pressupostos. Os bloqueios por sinuosidade política ao desenvolvimento da região e a qualquer movimento transformador do território não são benéficos, sobretudo quando a evolução se pauta pela sustentabilidade e pelo enquadramento ambientalmente responsável de vectores como o turismo e os transportes. O desafio do presente não está, afinal, em conseguir transformá-lo em conhecimento para o futuro?

- PUB -

Vim aqui partilhar a minha reflexão. Com ela, apelo a todos que se cuidem – de si, dos outros e do planeta.

- PUB -

Mais populares

St. Peter’s: Investimento de 4,6 milhões abre a porta a mais de 200 alunos

Novo edifício projectado para Setembro de 2021 permitirá também ao colégio ter alunos em regime de internato Nas actuais instalações, na Volta da Pedra, Palmela,...

Investigador do Politécnico de Setúbal entre os mais citados em todo o mundo

O professor Vítor Pires é um dos 37 portugueses que integram a lista especial da Universidade de Stanford   Vítor Fernão Pires, docente da Escola Superior...

Serviços municipais passam para antigo Lidl

Obras de reabilitação do futuro equipamento arrancam em Janeiro O concurso para a reabilitação do edifício ocupado anteriormente pela superfície comercial LIDL, na Quinta da...
- PUB -