30 Novembro 2020, Segunda-feira
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Abraço solidário a Paulo Gomes

Na passada semana, a direção do Vitória Futebol Clube, liderada por Paulo Gomes, apresentou a sua expectável renúncia ao cargo.

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Como não poderia deixar de ser, assisto com tristeza à profunda crise em que o Vitória mergulhou e que, suspeito e antecipo, a seu tempo muito possivelmente obrigará o clube a prescindir do controlo da SAD.

No imediato, porém, há uma situação de quase colapso para resolver e deduzo que Paulo Gomes entende não ter condições para continuar. Muito provavelmente terá razão. Outros terão, porventura, a energia e a motivação para a partir daqui segurar o leme, num processo em que não se terá batido ainda no fundo do poço.

Isto dito, não consigo imaginar a tristeza e a angústia por que está a passar Paulo Gomes. Só ele sabe o quão dolorosas têm sido as últimas semanas e a pressão sufocante que se abateu sobre si. Ele, mais do que ninguém, teria desejado dar alegrias aos adeptos, partilhar momentos de felicidade, ser recordado como um grande presidente. A sorte não lhe sorriu, infelizmente para si e para o Vitória.

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É possível que tenha cometido a sua dose de erros. Ainda que assim tenha sido, as circunstâncias que enfrentou foram particularmente adversas. Como todos sabemos, se a situação já era difícil no início do seu mandato, pior ficou com a pandemia. Num abrir e fechar de olhos, os desequilíbrios financeiros acentuaram-se numa aceleração brusca rumo à parede.

Outros teriam conseguido evitar o colapso?

É possível, em teoria, ainda que na prática seja improvável. Em devido tempo, pelo menos, ninguém assumiu publicamente que o Vitória navegava rumo ao precipício, mas que tinha condições financeiras para o evitar.

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Nada disto, claro está, altera o facto de o líder do momento ser sempre o responsável. Paulo Gomes era quem ocupava a presidência e, se outra razão não existisse, tal colocou-lhe nos ombros toda a responsabilidade formal. Ainda assim, convém tentar ser justo e equilibrado, reconhecendo que o Vitória estava mergulhado há muito num processo de declínio progressivo que ninguém foi capaz de travar.

Termino com aquilo que verdadeiramente interessa. Não é nos momentos que se saboreiam vitórias que precisamos de palmadinhas nas costas. É nos momentos solitários e dolorosos. Ao Paulo Gomes envio a partir daqui um abraço solidário. A vida continua.

 

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