Uma oportunidade a não perder

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Mário Moura - Médico

A pandemia que assola o nosso mundo e que ainda ninguém sabe como e quando nos vai deixar tranquilos, vai conseguindo consolidar os seus efeitos nefastos sobre a saúde humana – as mortes continuam nuns países ás centenas e noutros aos milhares por dia. A sua predileção pelos idosos é chocante mas ,em boa verdade nenhuma idade lhe escapa.

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Mas os seus efeitos sobre a economia tornam a situação ainda mais destrutiva da sociedade em que vivemos. As firmas e fabricas quase sem trabalhadores e sem mercados ameaçam falência aumentando os desempregados, dão aos governos uma dor de cabeça e assistimos a um aumento da pobreza que agita as populações que começam a manifestar-se contra as medidas de confinamento – único meio que é um travão ao aumento dos doentes e dos falecimentos.

O mundo está assim sob a ameaça duma desorganização total: os empregos escasseiam, movimentos do turismo e o intercâmbio de mercadorias( importações e exportações) diminuem, os capitais não têm os lucros a que estavam habituados, a fome aumenta, os serviços de saúde entram em exaustão, as democracias estão ameaçadas e os governos autoritários colhem adeptos.

Muita gente que pensa começa a falar da necessidade de aproveitar esta oportunidade única duma reconstrução das nossas vidas de uma outra maneira. E se pensarmos que já antes da pandemia se falava na necessidade urgente de mudar a nossa maneira de viver em sociedade por causa da reação da natureza á delapidação que o homem fazia para satisfazer as suas exigências de lucro – explorando minerais, perfurando o solo para extrair o petróleo, derrubando árvores para negócios de madeiras e para ter campos de pastagem, alterando os climas pelo aquecimento global, dos mares e da atmosfera – tudo isto ameaçando a vida sobre o nosso planeta. E como dizia, se aos efeitos da pandemia juntarmos estas ameaças ecológicas, o nosso futuro encaminha-se para uma verdadeira tragédia.

O Papa Francisco pede “novos hábitos de produção e consumo para travar a degradação da natureza” apelando a uma mudança no modelo económico para o tornar mais sustentável e acrescenta “abusar da natureza é um pecado grave que nos faz mal e nos faz adoecer” falando igualmente da necessidade duma “revolução pacífica”. E diz “quando não se aprende a parar para admirar e apreciar a beleza, não é estranho que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos. Também em objeto que se usa e deita fora”.

Numa sociedade em que tudo é medido pela sua produtividade, os idosos que não produzem são “material descartável” , são um peso para a sociedade – parece que o vírus “pensa” assim e entrou em força pelos lares onde as famílias “descarregaram os seus velhos.

Há na realidade muito para mudar e é necessário que se não perca esta oportunidade da pandemia!! Os políticos que acordem, os jovens que defendam o seu futuro ! E que o dinheiro deixe de mandar no mundo !!!!

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