7 Março 2021, Domingo
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O fim do serviço público da CGD no Monte de Caparica

A passada semana terminou com uma preocupante notícia para os habitantes do Monte de Caparica no concelho de Almada. A agência da Caixa Geral de Depósitos, fruto de um programa de restruturação interna e de optimização de custos, irá encerrar o balcão que tem nessa vila, sede de uma união de freguesias com mais de 26.000 habitantes.

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Esta decisão lamentável, não só pelas questões demográficas desta freguesia mas também pela tipologia dos clientes deste balcão, pensionistas e pessoas mais idosas, fica ainda menos compreensível quando na carta enviada aos seus clientes fundamenta a sua decisão pela crescente preferência dos seus clientes pelos canais telefónicos e digitais.

Quem conhece a realidade desta vila e dos seus habitantes sabe que esses argumentos são totalmente descontextualizados com as suas necessidades. As pessoas mais velhas por não estarem à vontade com os meios informáticos e por estarem habituados ao contacto presencial no que diz respeito a assuntos relacionados com as poupanças de uma vida, seguramente têm uma opinião contrária aos decisores do banco público.

Todos sabemos que as empresas deverão criar valor para os seus accionistas. No caso das empresas privadas o valor criado será o lucro para que os seus accionistas possam ter o retorno dos seus investimentos, para que possam adjudicar algum desse valor em novos investimentos que permitam alavancar o seu crescimento, dotar os seus recursos humanos de mais formação ou mesmo de apostar na inovação dos seus produtos ou negócios.

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Porém as empresas públicas, municipais ou detidas por capitais públicos, como é o caso da CGD, o seu âmbito terá de ser um pouco diferente. Naturalmente não se pretende que estas empresas tenham prejuízo fruto das suas actividades. O prejuízo será sempre suportado por dinheiro público, originário dos impostos pagos por todos nós. Mas se os contribuintes são chamados a pagar resultados negativos, terão de ser uma das principais atenções dos administradores dessas empresas.

Estas têm de assegurar a sua função sócio-económica perante os seus clientes que são também contribuintes. A CGD, pela sua história de proximidade e de serviço público bancário que presta às franjas menos favorecidas da sociedade e com mais dificuldade de adaptação às tecnologias digitais, não pode abster-se de prestar esse serviço aos seus clientes que durante décadas confiaram nesta instituição bancária as suas reformas e as suas poupanças.

Fechar agências indiscriminadamente com o mero objectivo do lucro, vai obrigar que clientes mais idosos e com maiores dificuldades de locomoção a deslocarem-se para poderem tratar dos assuntos referentes às suas poupanças como sempre o fizeram, presencialmente.

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Numa situação pandémica, e sendo estas pessoas pertencentes ao grupo de risco, obriga-las a deslocações em transportes públicos, expondo-se a um risco de contágio perfeitamente evitável, não é de todo uma solução justa e é totalmente incompreensível.

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