4 Março 2021, Quinta-feira
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Não podemos tomar a democracia como garantida

Por ter vivido sempre em liberdade, grande parte da minha geração e as posteriores, dão a liberdade como um valor garantido. Quem nunca viveu sobre o jugo de um sistema que limita as liberdades individuais, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a liberdade sindical e política, poderá ter alguma dificuldade em conceber como seria a sua vida sem estes valores que a revolução de Abril nos fez conquistar.

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Em países com regimes democráticos implantados há mais tempo este sentimento será muito mais evidente. Nos Estados Unidos da América desde a abolição da escravatura, podemos considerar que em teoria não há cidadãos não livres.

Naturalmente que o conceito do que é um regime democrático tem vindo a evoluir ao longo dos tempos desde a antiguidade grega. O que vimos na semana passada em Washington DC, onde centenas de apoiantes do ainda presidente invadiram o capitólio com o objectivo desesperado de tentar impedir a proclamação dos resultados eleitorais, é uma evidencia que para algumas pessoas a democracia e a liberdade são conceitos plásticos que se adequam às suas conveniências. Desde que anunciou a sua candidatura até ao fim do seu mandato, Trump habituou-nos ao seu discurso repleto de mentiras e uma constante afronta aos limites do debate e combate político.

Descredibilizou a comunicação social e utilizou as redes sociais para apelar aos instintos mais primários dando uma sensação de falsa insegurança, rodeando-se de militantes extremistas, teóricos da conspiração e supremacistas brancos.

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Ao ver que tinha perdido as eleições iniciou uma fuga para a frente tentando todas as artimanhas jurídicas numa tentativa desesperada para reverter o processo eleitoral. Com isso apenas conseguiu arrastar para a lama e descredibilizar as eleições e o sistema democrático do seu país. Esgotados todos os recursos, teve a ousadia de incitar os seus fanáticos fiéis à violência e à invasão de um dos símbolos do sistema político. Mais uma vez as forças de segurança não estiveram à altura do que lhes foi exigido, mostrando a sua indiferença e fraqueza perante a selvática horda de desordeiros travestidos de revolucionários, em claro contraste com outras situações onde se vê claramente uma desproporcionalidade na actuação e no uso da força.

Estas imagens, apesar de nos chegarem do outro lado do Atlântico, não podem nos deixar indiferentes. Por toda a Europa vemos o surgimento de forças que têm como modelo estes extremistas, e que na primeira oportunidade lhes seguirão o exemplo.

A liberdade é um dos valores da nossa constituição e da União Europeia, a democracia é o único sistema que permite a sua existência em plenitude. Quando forças anti-democráticas ganham expressão, todos os democratas têm a obrigação moral de as combater.

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A liberdade e a democracia foram uma oferta das gerações que nos antecederam. Temos de assegurar que as conseguimos transmitir às gerações vindouras. Agora como nunca deveremos ter presente o paradoxo da tolerância de Karl Popper: Não podemos ser tolerantes com a intolerância.

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