6 Março 2021, Sábado
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Da saúde… física e mental

No passado dia 13 de Janeiro, foi aprovado o nono decreto do Estado de Emergência, no seguimento de um aumento bastante significativo dos números de infectados e de mortes por covid-19. Na terça-feira anterior, em reunião no Infarmed, o epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carmo Gomes, avançou a possibilidade de 14 mil casos de infecção por dia, mesmo com recurso ao confinamento geral, sendo que uma redução deste valor para sete mil demoraria cerca de três semanas, e outro tanto para atingir os 3.500 casos. Ficou ainda o alerta de que o número de óbitos poderia chegar aos 150.

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Previsões à parte, concreta é a fortíssima pressão em que o nosso Sistema Nacional de Saúde (SNS) se encontra. No nosso distrito, o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, anunciou mesmo a necessidade de avançar para a última fase do Plano de Crise ou Catástrofe, pela primeira vez na sua história, devido ao aumento de doentes internados com covid-19 mas também pela maior procura de cuidados por doentes não covid. O Centro Hospitalar do Barreiro / Montijo e o Hospital Garcia de Orta, em Almada, deram também a conhecer situações próximas ao ponto de ruptura, embora este último tivesse anteriormente alargado o número de camas nos cuidados intensivos. Simultaneamente, parecem estar “esquecidas” as doenças que já existiam e que não desapareceram, bem como os doentes que acabam por ser preteridos de forma preocupante e sem sabermos com que sequelas. Uma das medidas mais drásticas da Ministra da Saúde foi precisamente o adiamento de todas as intervenções cirúrgicas, mesmo as consideradas prioritárias, num despacho em vigor até ao final do mês… pelo menos.

E falando em preterimentos e sequelas ignoradas na área da saúde, o que dizer em relação à saúde mental, constantemente colocada em plano de menos importância quando Portugal já é o segundo país da Europa com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas? Este é também um facto que não pode ser esquecido, sobretudo se tivermos em consideração um estudo que revelou que mais de um terço da população portuguesa e quase metade dos profissionais de saúde inquiridos manifestaram sinais de sofrimento psicológico, como ansiedade, depressão ou stress pós-traumático. A nossa situação actual, sem dúvida, provocará um aumento de casos, bem como o agravamento dos existentes.
A covid-19 veio obrigar-nos a constatar uma realidade que muitos ignoravam: a do estado permanentemente débil e caótico do nosso SNS, cuja existência – tão necessária e preciosa! – assenta sobretudo nos esforços e dedicação dos profissionais de saúde. A situação que vivemos actualmente acentua a importância de investir seriamente na contratação e valorização de profissionais – estes que mesmo após tantos meses de luta e com tempos de repouso cada vez mais escassos, continuam a dar tudo de si na linha da frente -, na melhoria das infra-estruturas e no reforço dos meios de diagnóstico. Espero, sinceramente, que nos incite também a um olhar cuidado sobre a nossa saúde mental, aspecto importantíssimo para uma vida equilibrada e mais serena. Algo que, neste momento, nos é essencial!

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