Criador de Corroios sagra-se Campeão Mundial com raça lançada por médico do Barreiro

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Hugo Constantino arrebatou o título mundial individual de ornitologia, ao qual juntou ainda o de vice-campeão por equipas a somar a uma medalha de bronze

 

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Ter os pássaros na mão valeu a Hugo Constantino, 40 anos, voar mais alto. A paixão pela espécie de canários de raça Arlequim Português permitiu a este professor de Educação Física, que reside em Corroios e exerce funções de técnico superior de Desporto na Câmara Municipal do Seixal, sagrar-se Campeão Mundial de Ornitologia.

Os exemplares (fêmeas) que o criador expôs na 68.ª edição do Mundial da especialidade, realizado na Exponor em Matosinhos entre 24 e 26 de Janeiro último, não só lhe valeram o título individual como também o de vice-campeão por equipas e ainda uma medalha de bronze, entre quase um milhar de criadores, oriundos de 17 países, que apresentaram um total de cerca de 25 mil aves a concurso.

“O Arlequim Português é a única raça nacional de canários. Foi criada há cerca de 28 anos pelo professor doutor Armando Moreno, cardiologista que residia no Barreiro e era esposo da artista Maria Guinot [ambos já falecidos]”, faz questão de sublinhar Hugo Constantino, realçando que a raça só foi aprovada para competição pelos juízes da Confederação Ornitológica Mundial “há 10 anos, com a criação de um padrão de requisitos”.

Com três cores principais – “branco, vermelho e negro, outra cor além destas já pode ser considerado defeito”, explica o criador –, estas aves “devem ter 16 centímetros”. Trata-se de uma raça “bastante competitiva”, já que conta com “muitos criadores”, mas que “não é habitual obter muitos prémios”.

De resto, só existem três categorias de canários para expor: os de Canto; os de Cor; e os de Porte. “O Arlequim Português insere-se na de Porte.” A raça, acrescenta, divide-se ainda nas seguintes classes: “machos com popa, e sem popa, e fêmeas igualmente com e sem popa”.

O título individual foi alcançado com uma fêmea com popa, tal como o de vice-campeão por equipas. Em equipa concorre-se “com quatro aves muito iguais”. O bronze foi conquistado “com fêmeas par sem popa”. Por países, Portugal ficou no segundo posto, atrás da Espanha.

Sempre a crescer desde estreia auspiciosa

Hugo Constantino, natural do Porto e residente desde 2006 em Corroios com a mulher e dois filhos, explica a razão da paixão pela raça Arlequim Português. “É única e representa muito do povo português, alegre, vivo e muito intenso no dia-a-dia”, confessa o criador, que anteriormente já havia saboreado o gosto de um outro título mundial – “Fui Campeão do Mundo enquanto treinador de Arnaldo Silva na modalidade de Kickboxing (K1 Rules)”, recorda.

O interesse pelas aves surgiu quando tinha “12 ou 13 anos”, mas como criador só iniciou actividade “a partir de 2010”, quando começou “a formar um plantel com seis casais de aves”. Actualmente, conta com 16 casais e é filiado em três clubes: Clube Ornitológico de Setúbal, Clube de Ornitologia Almadense e Clube do Canário Arlequim Português.

Estreou-se em competição em 2015 no Campeonato Ornitológico Costa Azul, organizado pelo clube de Setúbal, obtendo logo dois primeiros lugares com a referida raça de canários. No mesmo ano, arrecadou ainda dois outros primeiros postos – aos quais juntou também um segundo lugar – na Expoaves, promovida pelo Clube de Ornitologia Almadense. “A partir daí foi sempre a crescer”, confessa.

O ano passado foi Campeão Nacional com dois primeiros prémios e um segundo e ainda Campeão Internacional no Avixira, em Vila Franca de Xira, subindo de novo por duas vezes ao lugar mais alto do pódio e conquistando ainda dois segundos lugares.

Já este ano, em Portugal, o Campeonato Nacional sofreu um interregno face à realização do Mundial em Matosinhos, mas Hugo Constantino foi arrebatador nas outras competições em que participou. “Apresentei um total de 42 aves a concurso nas seis vezes que expus este ano e obtive 36 primeiros lugares e seis segundos. Sagrei-me Campeão Internacional com três primeiros postos e dois segundos, além de ter sido distinguido como melhor criador de Arlequim Português pela Federação Italiana com o prémio Canarini Lusitana”, vinca.

Quanto a apoios, apesar dos bons resultados, não existem. “Desde o custo das inscrições, ao transporte, passando pelos cuidados de veterinário, entre outros, é tudo suportado pelo criador”, salienta, acrescentando que “devia existir algum apoio de literatura” que aproveitasse “o prestígio dos criadores nacionais para expansão da raça no mundo”. E a terminar deixa uma mensagem: “Quando fazemos isto com paixão não podemos ser produtores, mas sim criadores, que se podem definir como coleccionadores.” Esta diferença, defende, devia ser cada vez mais acentuada.

Preparação e melhoria do aspecto genético das aves

A preparação das aves para competição obriga a certos cuidados, conforme explica Hugo Constantino. “Têm um período de criação entre finais de Fevereiro e início de Junho. Depois vão para umas voadeiras com cerca de 1,20 metros/1,20 metros e 40 a 50 centímetros de fundo, onde ficam até ao período de muda da pena, que acontece entre meados de Agosto e que pode terminar em finais de Setembro ou princípio de Outubro”. Já os juvenis – aves do ano (como as que o criador apresentou neste Mundial) – iniciam a preparação “logo no arranque de Setembro, em gaiolas individuais”. Segue-se a preparação “de banho, cuidado da plumagem, alimentação para os melhorar para concurso”, o que requer “maior atenção”.
Em relação a objectivos futuros, Hugo Constantino é peremptório: “Passa por melhorar o aspecto genético das aves, trabalhando muito com as leis da Biologia”.

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