Mulher suspeita estar contagiada e desespera por resultado de teste há três dias

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Esteve em contacto com uma funcionária do Santa Maria que testou positivo. Tem sintomas e vive com marido diabético e filha com doença pulmonar

 

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Até meio da tarde de ontem já levava 72 horas de angústia, ansiedade, à espera de saber o resultado do teste realizado a Covid-19 no Hospital do Barreiro. O desespero acentuou-se porque Isabel dos Santos, 48 anos, residente em Montijo há 19, apresenta sintomas, sabe que esteve em contacto directo com uma pessoa infectada e sente-se desamparada.

“Mandaram-me para casa com um panfleto de recomendações e ninguém me diz nada. Não me contactam nem há resultados. O único contacto que recebi foi ontem [segunda-feira], mas depois de eu ter ligado para lá e para me dizerem apenas que tinha de aguardar”, lamenta Isabel, que gere uma cantina na Casa do Pessoal no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

“No passado dia 15, domingo, falei com uma pessoa – uma funcionária no Santa Maria – que testou positivo para Covid-19”, conta. A partir desse momento tudo mudou. Das quatro funcionárias da cantina, “três estão de quarentena e uma está a aguardar para fazer o teste porque também contactou com a pessoa infectada”.

Na última quinta-feira, Isabel dos Santos começou a sentir sintomas – “tosse, febre ligeira (37,5° ao final do dia que passa quando tomo ben-u-ron, dores de cabeça e de garganta”, revela – e contactou a linha SNS24 (808 24 24 24). Daí em diante, nada correu como esperava.

“É um teste à paciência de qualquer pessoa. Várias tentativas e diversas horas depois fui atendida e dada como referenciada para aguardar contacto do médico. Mas disseram para que voltasse a ligar caso sentisse agravamento dos sintomas”, lembra.

“Dois dias depois, a 21, sem ter sido contactada pelo serviço e já com agravamento dos sintomas, voltei a ligar e tudo foi mais rápido. Passados 10 minutos um médico retornou a chamada e, após falar comigo, disse-me que iria ligar para o Hospital do Barreiro.”

O processo havia sido desencadeado. “Pouco depois voltou a ligar-me para informar-me que a unidade hospitalar estaria à minha espera. Preferi ir de carro, com máscara e luvas, seguida pelo meu marido noutra viatura”, recorda. A experiência vivida de seguida revelou-se desanimadora para Isabel.

“À chegada fui para a tenda. Perguntaram-me o nome, o número de telefone e encaminharam-me para uma sala de isolamento, onde estava um telefone que só deveria usar se precisasse. Entrei às 12h30 e saí às 19h30.”

Entretanto, um funcionário ligou-lhe para o telemóvel para que desse os dados pessoais. E depois um médico.

“Perguntou o mesmo e questionou-me se o Montijo é concelho ou freguesia e se é distrito de Lisboa ou de Setúbal. Não vi o médico. Não me mediram a temperatura nem a saturação de oxigénio”, relata, juntando: “Às 14h30 fiz um Raio-X, às 15h15 o teste de despiste e análises.”

Seguiu-se novo período de espera. “Pelas 17h30, o médico ligou para saber se eu fumava, porque se tinha esquecido de perguntar, e diz-me que o Raio-X está feio. Expliquei-lhe que nunca são famosos, devido a outras complicações”, conta, acrescentando: “Às 18h45, recebi novo telefonema a dizer que as análises estavam bem e que podia ir para casa. Ficaria em contacto com uma equipa médica que me transmitiria o resultado em 24 horas. Até hoje, nada.”

Isabel dos Santos encontra-se confinada em casa e justifica ainda o desespero com o facto de a filha apresentar uma doença pulmonar crónica e também por o marido ser diabético. Factores de risco para quem contrai Covid-19.

“Em casa acabamos sempre por nos cruzar, mas tentamos evitar a proximidade de menos de um ou dois metros. Cada um tem a sua casa-de-banho individual, mas estamos os três fechados em casa”, conclui.

O SETUBALENSE tentou registar a reacção do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, mas até ao fecho desta edição não recebeu resposta às questões enviadas por e-mail.

Delegado de Saúde sem explicação para a demora

Mário Durval, Delegado Regional de Saúde, não encontra explicação para a demora. “Lido com alguns casos complicados e recebo os resultados do Instituto Ricardo Jorge, normalmente, passadas algumas horas”, diz o responsável. “Pode ter a ver com a quantidade de testes que se estão a fazer. Pode estar em fila de espera.”

O Delegado Regional de Saúde afirma que o Serviço Nacional de Saúde “está a adaptar-se para responder o mais célere possível” a todas as contingências. “Nesta conjuntura, nós no serviço público somos os mais castigados. Não controlamos todos os factores num surto como este, mas estou optimista de que vamos aguentar isto em níveis que não serão estratosféricos, como por exemplo em Itália”, rematou.

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