Palmela assegura desinfecção de lares das IPSS da rede social e equipamentos

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Fotografia de Alex Gaspar

Álvaro Amaro fala sobre as mais recentes medidas do município no combate à Covid-19. Testes de despiste para bombeiros já garantidos

 

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A Câmara Municipal de Palmela foi uma das primeiras no País (para não dizer a primeira) a promover acções de desinfecção nos lares de idosos das IPSS da rede social, operação iniciada na última quinta-feira e que está prevista ficar hoje concluída.

Após o lar da Santa Casa da Misericórdia de Palmela, com 84 utentes, a acção abrangeu a Associação Lares dos Ferroviários, em Pinhal Novo (50 utentes), a Fundação COI, também em Pinhal Novo (28 utentes), e é para ser estendida a outros equipamentos. O serviço tem vindo a ser efectuado por técnicos de uma empresa certificada contratada pela autarquia.

“Estamos a intervir, depois de contactados, nos lares das IPSS da rede social, legalizados, que solicitaram apoio”, disse Álvaro Balseiro Amaro, presidente da Câmara de Palmela, salientando que o município enviou “recomendações para lares particulares, privados, alguns que até possam não estar legalizados”.

Nestes últimos, adiantou, a autarquia “só irá intervir a pedido da Segurança Social e das autoridades de saúde”.

“Já manifestámos a estas entidades que estamos disponíveis, porque estamos a falar de um grupo de risco que precisa de ser protegido.”

A nebulização dos referidos espaços “está a ser feita utilizando um produto eficaz contra a Covid-19”. O desinfectante “actua, anulando qualquer contaminação e deixando uma película protectora nas superfícies, durante vários dias, resistente às lavagens frequentes”, já havia assegurado a Câmara Municipal em comunicado.

Além dos lares, a intervenção vai incidir, de seguida, noutras IPSS, como residências de pessoas com deficiência, centros de acolhimento, comunidades terapêuticas, bem como nos quartéis das três corporações de bombeiros e diversas instalações municipais. A medida incidirá em “mais de 15 edifícios”, com um total de “várias centenas de utilizadores”.

Testes para bombeiros e mais

Mas, as medidas do município não se ficam por aqui. Ainda para mais, quando ontem a Península de Setúbal foi relegada das regiões consideradas prioritárias para a realização generalizada de testes de despiste à doença em lares.

Álvaro Amaro contesta a decisão da tutela em deixar para trás a região. “Está na altura de a Península de Setúbal ser também contemplada. Hoje [ontem], o anúncio feito deixou a Península de Setúbal a descoberto”, defendeu.

“A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) está a preparar um laboratório para esta zona do ACES Arrábida que só vai estar a funcionar para o final da próxima semana e com capacidade para apenas 40 testes por dia”, lembrou, considerando essa capacidade “insuficiente, face ao número de população existente” neste território.

Por isso mesmo, avançou Álvaro Amaro, a edilidade de Palmela mostrou disponibilidade ao ACES para “a criação de um centro de testes, cedendo instalações para o efeito”, até porque, reforçou, “40 testes por dia para Palmela, Setúbal e Sesimbra representa uma capacidade manifestamente insuficiente”.

“O município tem estado a preparar uma segunda linha de espaços, para alojamentos e também aquisição de camas, tendo em vista uma situação de emergência para disponibilizarmos às entidades que necessitem. Não só para forças de segurança. Também para trabalhadores de saúde, entre outros”, acrescentou.

Mais: a Câmara de Palmela decidiu adquirir testes com um laboratório “sobretudo para os bombeiros do concelho e elementos da protecção civil, que tenham estado envolvidos no transporte de casos confirmados, e para os trabalhadores municipais que operam nos serviços essenciais, em caso de necessidade”.

O autarca diz-se “determinado” a lutar contra o actual flagelo. “Dar luta com tudo o que esteja ao meu alcance. Não estou desanimado. Estou é cada vez mais preocupado com situações de falta de condições e a transferência de responsabilidades, da Segurança Social e da Saúde, para cima das autarquias. Mas estamos juntos. Temos de dar o que temos e o que não temos e no final fazem-se as contas”, concluiu.

 “Estamos preocupados com todo o tecido económico”

Outra das grandes preocupações de Álvaro Amaro centra-se na estagnação da economia. A Autoeuropa, que é um dos motores económicos da região e do País, prolongou a paragem de produção até 12 de Abril. Porém, a fábrica de Palmela não é caso único a provocar apreensão no autarca.

“Temos preocupação com todo o tecido económico, desde as micro até às pequenas, médias e grandes empresas. Todas. O definhamento deste sector e estas paragens vão exigir, a nível nacional, a adopção de medidas para ajudar à recuperação”, avisa.

“O desemprego, a redução de rendimentos das famílias, os despedimentos e a não renovação de alguns contratos já se começam a conhecer na região”, apontou.

Voltando à Autoeuropa, Álvaro Amaro confessa que não manteve contactos com a empresa nos últimos dias e recusa pensar sequer numa eventual deslocalização da fábrica da Volkswagen do concelho ou até mesmo do País. “Não quero equacionar esse cenário. Temos de ultrapassar isto. Temos de estar preparados para mais dois meses muito difíceis para depois nos reerguermos”, finalizou.

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