“Páscoa vivida através do vídeo tem na partilha da palavra o maior acto de comunhão”

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Missas de Quinta-Feira Santa e Domigo de Páscoa são transmitidas através da página de Facebook do padre Rodrigo Mendes

 

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Com 75 anos e 50 de ministério, padre Rodrigo Mendes eleva o positivismo de uma época de isolamento devido à Covid-19, “que nos leva a viver a Páscoa mais próximos da reflexão sobre a capacidade de amar que Jesus nos demonstrou ser possível, longe do aspecto material e em família”.

Uma das maiores diferentes está na celebração desta Quinta-Feira Santa. Momento em que se recorda a primeira eurcaristia entre todas, quando Jesus partilhou a sua última ceia com os apóstolos. “Um acto de comunhão que agora os fiéis não vão poder realizar presencialmente, apenas em intenção, com a partilha da palavra, sendo esse o maior acto de comunhão”.

Também no Domingo de Páscoa, a missa será à distância e sem a possibilidade de ministrar os sacramentos do Baptismo e da Crisma, para os quais muitos fiéis se preparam ao longo de todo o ano.

Padre Rodrigo Mendes

A celebrar a as eucaristias da paróquia de Santa Maria, no Barreiro, com transmissão através das redes sociais, na sua página de Facebook, o pároco que durante doze ano desempenhou as funções de vice-reitor do Seminário de Almada não sente as pessoas afastadas da sua fé devido à pandemia. “Pelo contrário, temos centenas de visualizações e muitas reacções de todos aqueles que nos acompanham nesta época, mesmo à distância”.

Apesar de não poderem assistir à Eucaristia presencialmente, os fieis da paróquia de Santa Maria, no Barreiro, continuam a estar muito presentes, mesmo em época de isolamento. “As tecnologias permitem isso”, explica o pároco. “Com a ajuda de alguns jovens, mais à vontade com a tecnologia, através de um IPhone transmitimos a eucaristia, em directo, nas redes sociais. Do outro lado todos são muito bem-vindos, neste mundo diferente que nos está a ser apresentado”.

E é precisamente sobre esse mundo novo, agora apresentado, que Rodrigo Mendes quer ver as pessoas a reflectirem. “Vivemos um momento de grande evolução cientifica e tecnológica, que nos permite vencer muitas batalhas. Mas este não é o nosso lugar”, refere Rodrigo Mendes. “Estamos aqui de passagem. O conhecimento deu-nos apenas ferramentas para viver este tempo e cuidar da nossa casa, o planeta, o melhor possível. Ferramentas que nós não estávamos a saber usar, poluindo e desperdiçando recursos”.
Para além das eucaristias e das reflexões longe das paredes da Igreja de Santa Maria, esta Páscoa os actos de confissão também são vividos de forma diferente. “A igreja está aberta duas horas por dia e algumas pessoas ainda vêm, apesar de condicionadas às regras impostas”. Agora as confissões são feitas com dois a três metros de distância, algo que impede a privacidade deste acto. “Mas afinal o que é confessar-se a Deus? É arrependermos-nos verdadeiramente, em nosso coração, porque assim o sentimos realmente e porque queremos superar os nossos erros e ser pessoas melhores. Para isso precisamos apenas de nós mesmos e da nossa intenção sincera em Deus. Afinal não é dentro de uma igreja que estão todas as nossas respostas”.

Para o padre Rodrigo Mendes os actos de contrição ficam na consciência de cada um, enquanto não for possível fazer os actos de reconciliação comunitários, ou individuais, ministrados presencialmente. “Cada um saberá do seu perdão, o que nos deixa também mais responsáveis pelos nossos actos”.

Uma nova Páscoa, na qual as procissões do Senhor dos Passos e o Domingo de Ramos também foram vividos de força diferente.

No Domingo de Ramos, este ano celebrado a 5 de Abril, iniciou-se a Semana Santa. A missa, transmitida em vídeo, recordando o dia da chegada de Jesus a Jerusalém. Uma data habitualmente assinalada com a partilha de ramos com folhas oliveira e flores campestres, entre os fiéis, num simbólico comparado ao domingo que antecedia a Páscoa judaica, celebrado com folhas de palmeira, e que este ano também não foi possível concretizar.

Um sacramento que depois recebem Domingo de Páscoa, mas que a Igreja de Santa Maria, por agora, não vai ministrar. “No entanto, a todos que estão a frequentar o catecismo passo a palavra de que é importante continuarem as aulas, agora também transmitidas em vídeo e aprofundar o seu conhecimento sobre o significado da palavra e deste sacramento”, refere Rodrigo Mendes.

Particularidades de um tempo que Rodrigo Mendes nunca pensou viver e o leva a recordar que a fé se renova “pelo nascimento, morte ressurreição constante, presentes nas nossas vidas de diferentes formas”.

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