Covid-19: Badoca Safari Park em Santiago do Cacém corre o risco de não sobreviver

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O Badoca Safari Park, em Santiago do Cacém, corre o risco de não sobreviver aos prejuízos causados pelo encerramento ao público, devido à pandemia de Covid-19, disse hoje à agência Lusa o sócio-gerente.

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“Os prejuízos são enormes, porque estive quatro meses fechado e os meses mais fortes começam em Março. Todos os anos recebemos entre 15 a 20 mil crianças das escolas, a quinzena da Páscoa, talvez a melhor altura, também foi perdida e não sabemos quando isto vai passar”, afirmou Francisco Simões de Almeida, sócio-gerente do parque temático.

De acordo com o responsável do Badoca Safari Park, que se preparava para abrir a nova temporada, em Março, quando surgiu a pandemia, os animais, alguns de espécies ameaçadas, “com dietas muito específicas” e “cuidados bastante grandes”, obrigam à permanência diária de uma equipa de tratadores.

“Não podemos largar as rações e os alimentos no parque, irmos todos para casa e regressarmos passados dois, três ou quatro meses, não sei quando esta pandemia vai acabar”, alertou o responsável do parque, que recebe cerca de 120 mil visitantes por ano.

Segundo o sócio-gerente, a prioridade vai para o bem-estar dos mais de 400 animais exóticos, “integrados em programas de preservação e conservação”.

“Considero que, mesmo vendo alguma luz ao fundo do túnel em Junho ou Julho, o ano foi perdido, porque com as receitas que possa gerar em Julho e Agosto dificilmente conseguirei manter-me depois, com toda a época em que estamos encerrados e uma reabertura em Março de 2021”, previu.

Além dos animais, que habitam os cerca de 90 hectares do parque alentejano, as preocupações do sócio-gerente recaem igualmente nos trabalhadores, cuja maioria entrou em ‘lay-off’.

“Temos uma equipa permanente de 26 pessoas, entre veterinários, biólogos, zootécnicos, empregados qualificados para tomar conta dos animais, e o resto da estrutura comercial, de manutenção e de segurança. Tenho praticamente 95% da equipa em ‘lay-off’ e garanto os serviços mínimos para o tratamento diário dos animais”, referiu.

O empresário do parque de Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, juntou-se “num grito de alerta” a outros parques nacionais, que “atravessam dificuldades semelhantes”, e, através da Associação Ibérica de Zoos e Aquários, enviou uma carta ao Governo para tentar resolver o problema.

“Estamos muito unidos nesta causa, porque temos todos os mesmos problemas em termos de parques zoológicos, uns com mais apoios, outros com mais pulmão e mais meios, e por isso manifesto a minha preocupação na tentativa de arranjar uma solução atempada”, afirmou.

Para fazer face “aos milhares de euros de prejuízos”, o parque alentejano lançou a campanha “O Badoca Precisa de Si”, nas redes sociais, a apelar à solidariedade dos “amigos” na alimentação dos animais e na remuneração dos trabalhadores.

“Quanto mais depressa tomarmos medidas mais depressa conseguiremos resultados e quem quiser pode contribuir com alimentos ou através da conta bancária que disponibilizamos para ajudar os animais e as pessoas que aqui trabalham”, sublinhou.

Criado em 1999, o Badoca Safari Park é um parque natural com uma área de 90 hectares, localizado no litoral alentejano, que assumiu como objetivo “a conservação e preservação das espécies”, bem como a contribuição para “a sensibilização ambiental”.

Lusa

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