Feiras de velharias de Seixal e Amora poderão estar de volta em Junho

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Com o Plano Municipal de Emergência em vigência mantém-se o receio sobre iniciativas que juntem pessoas

 

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As feiras de velharias, instaladas aos sábados, alternadamente nas marginais do Seixal e de Amora, só regressarão em Junho. E se as condições da luta contra a propagação do coronavírus a isso não obstarem.

O SETUBALENSE colocou a questão a António Santos, presidente da União das Freguesias do Seixal, Arrentela e Paio Pires, que disse ser complicado prever o retorno das feiras, pois estão em jogo factores que implicam a segurança das pessoas.

“Enquanto estiver em vigor o Plano Municipal de Emergência, não daremos autorização para a realização de quaisquer feiras ou outras iniciativas de género idêntico”, referiu o autarca.

Outra questão é o do comportamento dos clientes e dos feirantes, sendo possível que uns e outros sejam obrigados a cumprir determinadas regras, dispensáveis em quotidianos normais, “como seja o distanciamento social”. Seja como for, tudo dependerá das directivas emanadas da Câmara Municipal.

Manuel Araújo, presidente da autarquia amorense, afirma também que vai “esperar pelo fim deste mês para avaliar a situação concreta”, mas qualquer decisão por parte da Junta de Freguesia “tem de se enquadrar no conjunto de mediadas tomadas pela Câmara Municipal”.

Nota-se que o presidente está mais preocupado com o mercado da Cruz de Pau. “É que aqui vende-se roupa usada, que passa de mão em mão. Quando voltar a abrir, teremos, por certo, que impor novas regras, novas formas de fazer comércio. No entanto, ainda nada está decidido”, afiançou.

Paula e Artur Caetano, que são vendedores e organizadores das feiras, em Amora e Seixal, respectivamente, dizem estar atentos à situação e acatar a decisão das autoridades. “Já falei com o presidente da Junta, que me disse não estar em condições de indicar uma data para a reabertura da feira. Portanto, esperemos que tudo evolua no melhor sentido, até chegar o dia em que a feira possa funcionar com plena segurança para o público e os vendedores”, sublinha Paula.

Quanto a Artur Caetano, pensa de forma idêntica. “Se calhar, nem em Julho haverá feira. Vamos esperar para ver como as coisas correm. Bem sei que na feira há espaço bastante para as pessoas se movimentarem à vontade, mas nunca se sabe. O melhor é jogar pelo seguro, para que não surja qualquer caso desagradável”, referiu.

Uma verdadeira Babilónia

Haverá poucos vendedores que subsistam com base nos proveitos da feira. Esses estarão em maus lençóis, como já o estão os pequenos comerciantes, entre muitas outras pessoas que exercem as mais diversas actividades.

Contudo, estas feiras fazem falta também a quem a elas se habituou, a quem se acostumou a espalhar o olhar e a esticar as pernas por locais aprazíveis como o são a Baía e as suas marginais de Amora e Seixal, onde estaciona o compra e vende dos sábados de manhã. É agradável encontrar ali os amigos, nos quais se incluem os vendedores, comprar livros – por vezes verdadeiros achados – por um euro, discos por outro tanto e relógios por cinco ou seis. Ali vê-se de tudo: máquinas fotográficas e instrumentos musicais, botões e postais antigos, brinquedos e ferramentas, espelhos e outras peças de mobiliário, bicicletas e louças, selos e moedas, bolas e rádios, quadros e gravuras, gaiolas e pisa-papéis, jornais e revistas antigas, enfim, uma verdadeira Babilónia.

Entre os objectos selecionados para venda, surgem os mais incríveis. Exemplo e um aparelhómetro que um dos vendedores tinha em mão e que nem ele sabia para que servia. Era um instrumento para afiar lâminas para a barba, quando estas apareceram no mercado para tomarem o lugar da ancestral navalha, que até então se apresentava insubstituível.

Por José Augusto

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