Vigília pela cultura e pelas artes na Praça do Bocage

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Entre as 14h00 e as 19h00 de amanhã, profissionais do sector da cultura alertam para as suas condições laborais

 

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Nas ruas ou nas suas casas, actores, produtores, técnicos, cenógrafos, acrobatas, professores de expressão artística e cultural, aderecistas, técnicos de museus, assistentes de sala e todos os demais profissionais do sector cultural fazem-se ouvir esta quinta-feira.

O objectivo é dar visibilidade à luta que tem sido travada pelo fim da precariedade laboral dos profissionais das artes que, nesta fase, ficaram sem qualquer fonte de rendimento e que não encontraram soluções imediatas nas medidas implementadas pelo Estado e pelo Ministério da Cultura.

A Vigília pela Cultura e pelas Artes nasceu em Aveiro, por mãos de um grupo de trabalhadores das artes, e depressa se começaram a organizar outras acções em várias partes do país. Setúbal não foi excepção.

“Como noutros distritos, a precariedade laboral no sector das artes em Setúbal é uma realidade. Além da falta de condições e direitos, temos profunda consciência da falta de apoios, de uma falta de investimento significativa para as artes, no que toca tanto à profissionalização como à educação”, diz Patrícia Paixão, membro da comissão organizadora da Vigília pela Cultura e pelas Artes em Setúbal, a O SETUBALENSE.

“Primeiro, é importante transmitir a mensagem de que existe solidariedade entre nós. Não somos só nós em Setúbal, não somos só nós em Portugal. A verdade é que a cultura em qualquer orçamento mundial, como ouvi há pouco tempo, é a primeira a sair e a última a entrar”, acrescenta, desejando, em conjunto com todos os profissionais da cultura unidos nesta luta, “que comecem a surgir medidas e políticas efectivas de mudança na forma como as artes e cultura têm sido tratadas, que os sindicatos e os trabalhadores sejam ouvidos”.

Agentes culturais setubalenses unidos

A par de Patrícia Paixão, da comissão organizadora de Setúbal fazem igualmente parte Fernando Casaca, Fernanda Rodrigues, Miguel Assis e Leonardo Silva. “Neste momento, estamos a organizarmo-nos para criar turnos onde se juntem mais pessoas, que se irão revezando durante a vigília”, conta, frisando que com esta iniciativa “acima de tudo pretende-se criar visibilidade, mostrar que mesmo sendo ‘poucos’ na rua somos muitos mais, e que não somos invisíveis”.

Sobre a situação que está a ser vivida pelos agentes culturais de Setúbal, Patrícia Paixão refere que “podemos ter actividades que remedeiam a situação, a autarquia pode tentar apoiar projectos em streaming para artistas, nós como entidades podemos sensibilizar e tentar criar contribuições solidárias de alguma forma mas não é suficiente. O problema é sistemático e tem de mudar na raíz. Falamos de muitos trabalhadores que se equilibram entre trabalhos, e às vezes não apenas com ‘trabalhos artísticos’ mas com outras actividades que de momento também estão paradas”.

Participação presencial ou virtual

Com o objectivo de serem vistos fora dos teatros, cinemas, estúdios, museus, bibliotecas e de todos os sítios onde exercem as suas actividades profissionais, de onde foram afastados pela pandemia, os profissionais das artes e da cultura organizaram-se para esta Vigília Cultural, na qual se pode participar de forma presencial e virtual, a partir das 09h00 desta quinta-feira, em vários locais do país.

Em Setúbal, a iniciativa acontece entre as 14h00 e as 19h00, na Praça de Bocage, sem que mais de 10 pessoas permaneçam no espaço ao mesmo tempo dadas as medidas de restrição que vigoram devido à pandemia Covid-19.

Oito participantes e dois promotores da iniciativa, que farão o acompanhamento e cederão cartazes devidamente higienizados aos participantes, perfazem os turnos de 10 pessoas, que serão revezados a cada meia hora.

A participação virtual, por sua vez, assenta num convite à criação e divulgação de fotografias ou vídeos postados nas redes sociais de cada membro que se junta à esta vigília e que serão replicados na rede social da mesma.

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