Misericórdia de Alcáçovas recebe máscaras do jornal chinês Shanghai Daily News

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Vila alentejana vai ter um Centro de Estudo e Interpretação dos Jornais Centenários de Portugal e do Mundo

 

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A Associação Portuguesa de Imprensa (API) entregou 1 500 máscaras sanitárias à Santa Casa da Misericórdia de Alcáçovas, através de uma doação do jornal chinês Shangai Daily News.

A doação do periódico, que é um dos mais antigos da China, surge na sequência de uma pesquisa desenvolvida pela API na procura de títulos de Imprensa centenários em todo o mundo, com o objectivo de abrir na vila alentejana um Centro de Estudo e Interpretação dos Jornais Centenários de Portugal e do Mundo. Classificação na qual o Shangai Daily News fica incluído devido à actividade ininterrupta ao longo de 90 anos.

A API conseguiu estabelecer um protocolo de colaboração entre as duas entidades e agora, em tempo de pandemia, recebeu desse jornal, “entre outras coisas, as 1500 máscaras sanitárias”, revela João Palmeiro, presidente da API, acrescentando que “não houve qualquer hesitação ao decidir que o material seria para entregar à Santa Casa da Misericórdia de Alcáçovas”. Esta, de resto, é uma forma de a API afirmar que “os jornais são para as pessoas e que estão com as pessoas”. E sobre a instalação do novo centro, que deverá abrir portas em breve, junta: “É uma maneira de mostrarmos que queremos fazer parte desta comunidade de forma activa”.

João Penetra, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcáçovas, agradece a doação “de um dos materiais de protecção individual mais utilizados” na instituição. Este tipo de ajuda, sublinha, “é sempre bem-vinda, sobretudo num ano em que, pelas razões que se conhecem, as despesas dispararam e as receitas diminuíram”. Ao mesmo tempo, enquanto alcaçovense, o provedor admite que fica “muito grato pela instalação do centro”, até porque esse “será mais um motivo de interesse de visita à vila por parte de quem faz a Estrada Nacional 2”.

Antes do Tratado de Tordesilhas

A escolha de Alcáçovas, revela João Palmeiro, tem a ver com um detalhe histórico que data de há séculos. “Estamos a trabalhar num projecto da UNESCO que se chama “Memória do Mundo”, onde Portugal já depositou Os Lusíadas, a Carta de Pêro Vaz de Caminha e o Tratado de Tordesilhas. Mas foi aqui em Alcáçovas que o primeiro tratado que antecedeu o Tratado de Tordesilhas, entre Portugal e Espanha para divisão do Mundo, foi assinado. Alcáçovas é por isso um lugar de grande simbolismo”, explica.
Com este Centro de Estudo e Interpretação dos Jornais Centenários de Portugal e do Mundo, João Palmeiro não tem dúvidas que a pequena e pacata vila alentejana passará a ser uma referência para “académicos, investigadores, professores e simples visitantes interessados pelas histórias”.

Números Mais de 200 centenários em todo o mundo

A Associação Portuguesa de Imprensa iniciou este projecto de recolha de informação sobre jornais centenários em todo o mundo há cerca de três anos.

Neste momento uma mostra já está em exposição, em vários estados do Brasil onde há representação diplomática portuguesa, desde Outubro de 2019. Até esta altura a pesquisa da API, que é dinâmica à medida que os jornais vão celebrando mais um aniversário a cada ano que passa, regista 36 títulos, entre os quais O SETUBALENSE, em Portugal, 18 no Brasil e 170 no resto do Mundo. Sendo que, em termos de revistas, a famosa The Economist é a mais antiga ainda no activo. “Num tempo em que se debate a qualidade do jornalismo, a informação, e se luta contra a literacia mediática, este projecto mostra uma riqueza única que é muito pouco conhecida em Portugal”, destaca. “Ter acesso à informação de jornais que se publicam há mais de 100 anos de forma ininterrupta é um bem que muitas poucas sociedades no mundo têm. Tudo registado de forma independente e discritiva, sem olhar a questões políticas ou ideológicas”, concluiu.

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