Festival Internacional de Artes de Rua anima centro histórico de Palmela já este fim-de-semana

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Fotografia Alexandre Nobre

Esta edição é também uma homenagem a Dolores de Matos, encenadora, actriz e anterior directora do festival, que faleceu no ano passado

 

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Nos próximos dias 25 e 26 de Julho, a arte invade Palmela com FIAR – A Vila. Através de espectáculos, performances e intervenções artísticas, em papel, em vídeo e ao vivo, a acontecer em diversos espaços, este FIAR 2020 propõe “a arte de fiar e tecer juntos em tempos de distância”.

A FIAR associação cultural foi criada em 2000, como estrutura co-organizativa do festival FIAR. Hoje, com 20 anos de vida, o FIAR assume-se como um Centro de Artes de Rua em movimento e, de acordo com a organização, “este tem sido um ano difícil e singular mas também um ano de reinvenção e de reaprendizagem. Vimo-nos na contingência de partir à descoberta de novos modos de pensar e de fazer”.

Ao longo da criação do programa que será apresentado no último fim de semana de Julho, e face à conjuntura actual, surgiram diversas questões: Como enfrentar os medos para chegar de novo aos afectos? Como abordar esta pausa no tempo? Como ser próximo em tempos de distância? Como continuar a tecer os fios que inscrevem a arte na paisagem física e humana de Palmela? A equipa espera ter encontrado algumas respostas: “consideramos a arte um elemento fundamental na construção de um novo território humano, mais rico e mais poderoso. Por isso, ao voltarmos às ruas de Palmela acreditamos que estamos a cumprir a nossa missão de contribuir para um mundo melhor”.

“A rua é o palco” – Dolores de Matos

Celebrar a Lola é uma das premissas do FIAR 2020. Dolores de Matos, encenadora, actriz e anterior directora do FIAR/CAR, faleceu o ano passado mas continua presente, “numa pausa pelas contingências da vida, próximos pelo amor a este projecto de continuar a fiar”.

Segundo a coordenação, que acredita neste FIAR “como coisa do futuro das artes que escolhem a rua como legitimadora da sua arte e nunca como legitimação de penúrias criativas”, os artistas, “que escolhem estar na rua como processo de testar os seus caminhos artísticos” e por isso se apresentam na edição deste ano são seus “cúmplices” e “estão de regresso ao FIAR, à vila e à sua comunidade”. Entre circo contemporâneo, instalações, performances, dança, teatro e música, “já são íntimos do nosso fazer e da nossa população. Fiam connosco a sua arte. Juntos tecemos os nossos sonhos” e se compõe assim a lista de apresentações deste ano.

A instalação FIAR Dramaturgia de RUA abre o programa, com nota às 16h00 de dia 25, mas prolonga-se durante todo o evento em diferentes locais da vila de Palmela. Seguem-se “A música anda na rua”, de Rini Luyks, “A Vila a Fiar”, de Paula Moita e Gonçalo Freire, e “Le Voyage du Balayer”, de Clara Solezi e Diogo Santos.

Da programação para o primeiro dia, a repetir no segundo, faz parte a instalação “FOmE de Parede”, em que a revista FOmE sai do papel para os edifícios do centro histórico de Palmela, levando a arte emergente a todos os públicos em espaços inesperados. Pelas 21h30, “Pele”, Ricardo Guerreiro Campos e As Avózinhas instalam-se no Largo S. João Baptista. A peça de teatro “A Interrupção” sobe ao palco do Cineteatro São João pelas 23h00 e fecha a primeira noite de festival.

Entre o Miradouro da Serra do Louro, o Largo de São João, as ruas do centro histórico e os demais locais da vila palmelense “a rua é o palco” do FIAR. “Nesta rua que é sua” abre o domingo, dia 26, pelas 11h00, com criação, interpretação e produção de Diogo Duro. Os espectáculos, todos com entrada gratuita mediante marcação prévia, continuam à tarde, pelas 17h00, com Elo e Novelo de Leonor Keil. Para as 18h30 está marcado um concerto de Huesos del Niño, projecto a solo de Pedro Cunha, no Parque Venâncio da Costa Lima. À noite, pelas, 22h00, a performance “Penélope”, de Tiago Vieira, vai até ao Salão Nobre da Biblioteca Municipal de Palmela homenagear o amor, “esse sentimento tão poderoso cujo discurso constrói a verdadeira evolução humana”.

A organização lembra ainda que “os espectáculos têm lotação limitada” e “o uso de máscaras é obrigatório em recintos fechados e nos eventos de rua é recomendado manter as regras de afastamento social”.

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