30 Novembro 2020, Segunda-feira
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Teatro da Terra fixa-se na margem sul e desafia a experimentar a arte nas ruas e no palco

“No meio de tanta mentira, faremos tudo para que o Teatro da Terra mantenha a sua identidade”, diz Maria João Luís

 

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O Teatro da Terra é, desde o início do ano, a companhia residente do Fórum Cultural do Seixal. Mas tudo começou em 2009 quando, em Ponte Sor, Maria João Luís e o seu companheiro, Pedro Domingos, ambos amplamente conhecidos no panorâmica cénico do país, ela actriz, ele técnico de som e de luzes, fundaram a companhia.

“O meu primeiro interesse é a criação. Essa foi a motivação principal para me mudar para Ponte de Sor e fundar o Teatro da Terra. Com este projecto, tenho consciência de que estou a impulsionar o desenvolvimento da terra, o que, obviamente, me deixa muito feliz, porque ficamos todos a ganhar” contava Maria João Luís, na altura.

“Quis concretizar o projecto longe de Lisboa pela necessidade de expandir, de não centralizar. Foi a vontade de levar o teatro para zonas onde ele não está tão presente”, acrescentava.

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Ou seja, o objectivo foi fundar uma companhia profissional para trabalhar com a comunidade no quadro do projecto, “incitar as pessoas, mesmo as não profissionais, a experimentarem a arte de representar”.

Estreia auspiciosa

Entretanto, a companhia recebeu apoio da Direcção-Geral das Artes em 2018-2919 e candidatou-se ao biénio seguinte. Chegara a altura, então, de propor à Câmara do Seixal a mudança para o Fórum como companhia residente, o que realmente viria a acontecer por via do bom entendimento entre ambas as partes.

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Estreámo-nos no Seixal com “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shaskespeare. Diziam-nos que, por aqui, as pessoas não se interessavam pelo teatro, o que nos levou a abordar a estreia com um certo receio. No entanto, não podíamos ter tido estreia mais auspiciosa, pois a casa teve sempre lotação esgotada”.

Daqui, o Teatro da Terra partiu para uma peça infantil, tendo convocado para os ensaios onze estudantes adolescentes das escolas do concelho.

“Estava tudo a andar muito bem, com a peça pronta a estrear, quando nos cai a pandemia em cima”, lamenta a actriz. Por conseguinte, “tivemos que interromper os ensaios, anular a estreia e separarmo-nos dos estudantes. Foi uma pena!”

A Câmara Municipal, perante este impasse, propôs a Maria João Luís que fizesse leituras de rua, a partir de textos inspirados no 25 de Abril. A proposta foi aceite de bom grado, e a actriz começou a ler em ruas, praças, pracetas e largos do concelho para pessoas de todas as idades e condições, que se mostravam entre surpreendidas e agradadas.

“Não foi a primeira vez que fiz performance de rua. Andava eu na Escola Artística António Arroio, tendo por companheiros pintores, escultores, toda a espécie de artistas, quando comecei a ler pelas ruas. Na altura, pensava que era essa a minha vocação, ou parecia-me que era”, narra a actriz, com um sorriso nos lábios. Nos ares de Lisboa, perpassavam, então, versos surrealistas, palavras de André Breton, Luís Pacheco, Rimbaud, Cesariny, Herberto Hélder…

Há tanto teatro neste cinema!

Andamos para a frente no tempo e voltamos ao Seixal, ou mais propriamente ao Cinema S. Vicente, em Paio Pires: “Vou tentar desbravar este teatro, a que chamam cinema, mas há tanto teatro nesta sala, tanto charme do teatro! Vamos tentar levar à cena “A Ida ao Teatro”, do humorista alemão Karl Valentin”. A companhia está também a trabalhar na peça “A Pulga Atrás da Orelha”, de George Feydeau, que será representada no Fórum Cultural, no dia 28 de Novembro, integrada no Festival de Teatro do Seixal.

Falando da sua arte, Maria João sublinha: “No teatro nada é simples, nada é fácil, nada é feito à toa. O teatro exige trabalho, aprendizagem, dedicação e rigor”. Resumindo: “O teatro é uma matemática complicada! Ele comunga com a escultura, com a arquitectura, com a pintura, com as ciências exactas. É a arte da estrutura humana. É através dele que a natureza humana procura explicar-se”.

O Teatro da Terra esteve presente no Avanteatro, da edição deste ano da Festa do Avante, onde todas as noites apresentou “Abetarda”, que atraiu muito público e muitos aplausos. Um belo e curioso texto de João Monge escora outras manifestações artísticas, como o Cante Alentejano e o teatro de rua.

Maria João Luís está esperançada em “ter energia suficiente para levar avante este projecto, para lutar por uma sociedade melhor, em pugnar para que o teatro sobreviva”. E concluindo, na mesma linha de pensamento: “No meio de tanta mentira, de tantos bolsonaros, de tanta direita e extrema-direita, faremos tudo para que o Teatro da Terra mantenha a sua identidade, lutaremos pelo que fomos e pelo que somos”.

Por José Augusto

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