27 Fevereiro 2021, Sábado
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Dr. Pedro Soares sobre cancro da próstata: “As pessoas devem perceber que têm de ir ao médico”

Pedro Soares, Urologista do Hospital da Luz Setúbal, alerta para doença que mata 1.800 homens por ano. Esta terça-feira assinala-se o Dia Mundial do Combate ao Cancro da Próstata

 

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Em 2018, e de acordo com dados da Globocan, foram diagnosticados em Portugal 6609 novos casos de cancro da próstata e morreram 1879 doentes. É o quarto tumor com maior mortalidade no nosso país e o mais frequente nos homens. Neste mês de Novembro, em que se assinala o Dia Mundial de Combate ao Cancro da Próstata, o coordenador de Urologia do Hospital da Luz Setúbal, Pedro Soares, fala sobre a sua experiência enquanto médico na região e apela à “aposta na prevenção”.

“Falar de números em Portugal é sempre colocar o dedo na ferida. Funcionamos muito com a subjectividade daquilo que nos toca à porta. Não podemos, no entanto, deixar de ter a percepção, o conhecimento, de que no Top 5 de doenças oncológicas a urologia ocupa dois lugares, quase três, como costumo dizer”, começa por dizer a O SETUBALENSE. “São eles o tumor da próstata, o segundo mais frequente no homem, e que se perspectiva que, tendo em conta a progressão que tem vindo a acontecer, se torne o primeiro, o tumor da bexiga e o tumor do rim, com taxas de incidência cada vez maiores”, adianta.

No que diz respeito à actuação do Hospital da Luz Setúbal neste sentido, o seu coordenador de Urologia diz ter “muitos doentes que vêm do Alentejo profundo e inclusive do Algarve”. Por isso, “com esta distribuição geográfica tão grande, que gera uma abrangência em termos de cuidados urológicos igualmente grande, dizer que esta região da Península de Setúbal onde estamos inseridos é uma zona diferente para melhor, para pior ou se está no mesmo registo que a nível nacional, é de difícil conhecimento”, refere.

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Pedro Soares começou a sua formação no Hospital do Barreiro e, até chegar ao Hospital da Luz Setúbal, em 2004, passou ainda pelo Hospital Garcia de Orta, em Almada. É Assistente Hospitalar Graduado de Urologia desde 2015, Fellow do European Board of Urology e da World Association of Laparoscopic Surgeons e considera que “seja em que especialidade for, há sempre uma preocupação médica em que o doente entenda a nossa linguagem. Muitas vezes o abanar a cabeça não corresponde a uma real compreensão da mensagem que queremos passar e só nos apercebemos disso com a continuidade das consultas”.

Urinar sangue, ter dores ou até mesmo deixar de urinar são algumas das razões que motivam os utentes a procurar uma consulta de urologia. Até chegarem a estas situações limite, não o fazem. O médico aconselha a que não ignorem esta temática e informa que detectar o tumor numa fase precoce permite tratar com uma taxa de cura que pode ser superior a 95 por cento. “Esperar para vir a uma consulta porque urina sangue, deixou de urinar, ou porque lhe dói, pode ser a diferença entre um tratamento com sucesso e um tratamento que já não passa por um intuito curativo”, alerta, informando que no caso do cancro da próstata existem até várias possibilidades de tratamento para além da cirurgia, entre as quais a braquiterapia, de que são realizados no Hospital da Luz Setúbal entre 20 e 30 procedimentos por ano, face a centenas de diagnósticos no mesmo período.

“Além disso, o cancro da próstata, por norma, não dá estes sintomas. Tal só acontece se estiver associado ao crescimento normal da próstata. A pessoa tem a sensação de que urina mais vezes, mas não é pelo cancro, é pelo crescimento normal”, esclarece. “Os sintomas também podem estar associados a uma doença localmente avançada, que invade localmente, ou metastática, que invade à distância e aparece com dores ósseas e colapsos das vértebras com sofrimento neurológico. Quando isso acontece, na maioria das vezes é irreversível porque já estamos a falar em procedimentos terapêuticos de intuito paliativo, tentando dar qualidade de vida onde já não podemos curar”, acrescenta.

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Na opinião do urologista, “é importante que exista uma aposta sobretudo na prevenção. Em relação ao cancro da próstata em particular e à urologia no geral. Enquanto urologista, vejo homens e mulheres. Existem diferenças abismais entre o comportamento de ambos e gostava que tivessem de facto a percepção que vale a pena vir a um urologista”.

Para Pedro Soares, “o nosso país está ainda na fase de fazer as pessoas olharem para si e perceberem que têm de ir ao médico. Temos de facto algum caminho a percorrer e gostaria que de facto as pessoas percebessem o quanto é importante investirem na sua saúde. O retorno é algo que não tem preço”.

Cancro da próstata: verdades e mitos

Estas são as afirmações mais comuns feitas sobre o cancro da próstata e muitas não são verdadeiras. Leia a explicação correcta.

“O cancro da próstata é uma doença do homem idoso” – Mito

A saber: Embora o risco de desenvolver um cancro da próstata aumente significativamente após os 50 anos de idade, esta doença pode surgir em idades mais jovens e são estes os doentes que mais beneficiam das opções terapêuticas com objectivo curativo.

“Ter o PSA (antigénio específico da próstata) aumentado significa ter cancro da próstata” – Mito

A saber: O PSA é uma proteína produzida pela próstata (que é uma glândula) e que pode ter o seu valor aumentado em várias situações que não o cancro da próstata, tais como: Hiperplasia benigna da próstata (HBP), que é um crescimento benigno da próstata; Prostatite ou inflamação da próstata; Traumatismo da próstata. Para ter um diagnóstico correcto de um aumento do PSA é fundamental ser feita uma avaliação médica.

“Ter familiares com a doença aumenta o risco de desenvolver cancro da próstata” – Verdade

A saber: A hereditariedade é um dos factores de risco para esta doença. Por isso, os homens que tenham casos de cancro da próstata na família, se nada houver que sugira a necessidade de o fazer antes, devem consultar um urologista a partir dos 45 anos.

“Ter valores de PSA baixos é sinal de não ter cancro da próstata” – Mito

A saber: Pode haver cancro da próstata sem aumento dos valores de PSA. Estima-se que a doença ocorra em até 25% dos homens com níveis normais de PSA.

“O cancro da próstata tem sintomas, por isso basta saber quais são e ir ao urologista se houver sintomas” – Mito

A saber: Nas suas fases iniciais de desenvolvimento, quando a probabilidade de cura é muito elevada (85%-95% dos casos), o cancro da próstata não tem sintomas. Geralmente, a presença de sintomas relacionados com a próstata está até relacionada com hiperplasia benigna da próstata e com os efeitos que o crescimento deste órgão tem nos órgãos vizinhos (a bexiga e a uretra) tais como: Necessidade mais frequente de urinar; Jacto urinário fraco; Urgência em urinar.

“Pessoas de raça negra têm maior risco de desenvolver a doença” – Verdade

A saber: A raça é também um factor de risco para o desenvolvimento de cancro da próstata e diversos estudos têm confirmado que os homens de raça negra têm um maior risco de desenvolver a doença.

“Todos os doentes com cancro da próstata precisam de tratamento” – Mito

A saber: A decisão sobre o tratamento mais adequado a realizar depende da fase da doença (estadio), das preferências do doente e da esperança média de vida. Nos casos de cancro da próstata de baixa agressividade pode ser considerada a opção de vigilância activa, na qual é feita uma monitorização da evolução da doença, intervindo se houver progressão da mesma, mantendo-se a mesma oportunidade de cura.

“O tratamento do cancro da próstata é sempre cirúrgico” – Mito

A saber: No cancro da próstata localizado, as opções terapêuticas de intuito curativo incluem, para além da cirurgia radical da próstata (prostatectomia radical), procedimentos com utilização de radiação, tais como: Radioterapia externa; Braquiterapia da próstata.

“O tratamento do cancro da próstata causa impotência” – Mito

A saber: Mais de metade dos doentes com um bom desempenho sexual antes do tratamento terá uma boa função após a terapêutica do cancro da próstata. Os outros poderão ter uma disfunção eréctil moderada a grave e com auxílio terapêutico poderão recuperar a sua actividade sexual. Os factores relacionados com um mau prognóstico para a ocorrência de disfunção eréctil após o tratamento do cancro da próstata são: Idade; Desempenho sexual afectado previamente; Opção de tratamento escolhida, isto é, os riscos específicos de cada tratamento e/ou a experiência dos profissionais envolvidos nesse tratamento.

Dr. Pedro Soares

Colaboraram também neste artigo os médicos do serviço de urologia do Hospital da Luz Setúbal.

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