“É preciso que o PSD tenha ambição no distrito e estimule a discussão de grandes temas”

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Pedro Tomás

Candidato à Distrital do PSD de Setúbal, o economista Pedro Tomás foi secretário-geral do partido no Seixal e deputado municipal neste concelho, onde actualmente é coordenador do gabinete de estudos. Foi presidente da JSD distrital por dois mandatos

 

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Com o lema “Voltar a Acreditar”, Pedro Tomás critica a governação da Distrital de Setúbal do PSD por ter deixado o partido entrar numa espiral “decrescente”. Aponta os últimos maus resultados eleitorais e promete dar a volta a um partido que está a “definhar” a nível local. Garante que vai negociar estratégias com as concelhias e chamar o PSD novamente ao debate das grandes questões. Na mira tem o objectivo de conquistar uma câmara no distrito.

Que fundamentos o motivam a candidatar-se à presidência da Comissão Política Distrital do PSD de Setúbal?

Nos últimos 16 anos a Distrital tem sido governada rotativamente por Bruno Vitorino, a quem se seguiu Pedro do Ó e novamente Bruno Vitorino que tem como vice-presidente Paulo Ribeiro, que já manifestou intenção de se candidatar ao próximo mandato. Independentemente da qualidade dos meus companheiros, a qual reconheço, a verdade é que a estratégia do PSD no distrito de Setúbal não surtiu bons resultados.
Vemos que o PSD perdeu, no distrito, metade dos votos nos últimos 15 anos e está a definhar a olhos vistos. Tivemos concelhias que não apresentaram candidaturas autárquicas e órgãos concelhios que não estão eleitos, isto não pode continuar assim. É preciso regenerar o partido e revitaliza-lo. É preciso que o PSD tenha ambição no distrito e estimule a discussão de grandes temas.

Pelo que diz, a liderança de Bruno Vitorino, que atingiu o limite de mandatos consecutivos na Distrital, levou o PSD a uma quebra no distrito, nomeadamente nas últimas legislativas, mas isso também aconteceu com o PCP. A leitura não poderá ser pela subida do PS?

Sim, mas uma coisa é olhar os votos percentualmente, e outra é ver que o PSD está numa tendência decrescente no distrito. Nós temos quadros muito válidos, e esse é um dos motivos que me faz candidatar à presidência da Distrital, e tenho muitos deles comigo.

Quem me conhece desde que fui presidente da JSD no distrito de Setúbal, sabe do trabalho feito para recuperar a JSD e a sua massa crítica. É o que quero fazer também na Distrital de Setúbal do PSD.

O actual mandato da Distrital tem apostado num modelo já esgotado; não há outra forma de o dizer. Teve coisas boas e outras más, mas não podemos prosseguir no num caminho em que o risco é tornarmo-nos irrelevantes. O PSD tem bons quadros para apresentar uma proposta política alternativa à esquerda, porque senão a democracia está ameaçada.

Que propostas políticas vai apresentar ao partido para sair desta tendência decrescente?

Temos de voltar a uma dinâmica interna. Uma delas, a que me proponho, é fazer as pessoas voltarem a acreditar no PSD. Se os nossos militantes não tiverem a ambição de que o PSD é capaz de fazer melhor e ter propostas alternativas, não vamos conseguir com que outros voltem a acreditar na política; e a política está muito descredibilizada.
Temos de voltar a uma política de ideias, por isso quero ir às secções do partido e falar com os militantes e não militantes. Temos de sair da sede da Distrital e das sedes concelhias para percorrer o distrito. É preciso revitalizar o partido.

No próximo ano temos eleições autárquicas, e o PSD tem que voltar a crescer. O PSD tem de lançar, já, os pilares para ser outra vez um partido relevante no distrito de Setúbal. Uma relevância que nos permita ganhar uma câmara municipal no distrito, por termos propostas em que as pessoas se vão rever. Portanto, o principal desafio, hoje para a Distrital, é preparar o partido para as próximas autárquicas.

Tendo em conta que, no distrito de Setúbal, o PSD nunca governou nenhuma câmara, vê algum município em que isso possa acontecer, mais proximamente?

Há concelhos onde já tivemos resultados autárquicos muito significativos, caso de Seixal, Sesimbra e no Montijo onde estivemos perto de ganhar, por duas vezes. Tivemos um período de crescimento, mas inverteu-se na última década. Para “Voltar a Acreditar” [lema da candidatura] as concelhias têm que se entender numa estratégia vencedora e nisso a Distrital tem de ajudar, tanto em meios como na coordenação inter-muncipal sobre vários temas transversais à vida das pessoas.

O PSD no distrito não pode continuar a viver em ‘caixinhas’ em que cada estrutura tem a sua ‘quintinha’, tem os seus votos, os seus apoiantes; a coisa não pode funcionar assim. Nós temos de falar uns com os outros, temos de ter uma política regional e propostas sectoriais para os grandes temas que preocupam as pessoas.

Falo de propostas como, por exemplo, a saúde, a mobilidade, a segurança. São temas transversais a vários concelhos do distrito. Se soubermos apresentar propostas e debater soluções, vamos estar perto de ganhar uma câmara no distrito de Setúbal.

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